Nota Útil: As Bombas Atómicas, A Nuclear E A Termonuclear


Aqui estou eu de volta, depois da maleita que atingiu a minha mulher, já completamente ultrapassada, mas agora comigo cansado, talvez diabético e com novos problemas nunca até hoje por mim imaginados. Neste meu reinício não irei situar-me no domínio da opinião política, sim no esclarecimento de algo que, há já umas boas semanas, escutei, em certa noite, a um dos nossos comentadores militares.
A dado passo da sua intervenção, o nosso militar referiu para o seu interlocutor que o Irão estava a caminho de possuir a bomba atómica, e, logo depois, a bomba nuclear. Percebendo o que se pretendia transmitir, a verdade é que as palavras usadas criaram uma “tremenda” confusão. É essa confusão que aqui vou tentar extirpar. O leitor conhece, desde há décadas, o conceito de explosão. Basta recordar o Carnaval, ou as mil e uma festas, invariavelmente repletas de explosões as mais diversas. Ora, em todas estas explosões as reações em jogo devem-se a interação entre átomos. Simplesmente, se antes da explosão existia Enxofre, depois dela lá está o Enxofre. E o mesmo se dá com qualquer outro elemento presente nas substâncias a explodir. Ou seja: os elementos não desaparecem, o que significa que o núcleo de cada um dos elementos presentes continuou a manter o número de protões que é, digamos assim, o seu bilhete de identidade.
Diferente é o caso de uma explosão nuclear, porque nesta situação o núcleo parte-se, sendo que, depois da explosão, sendo já diferente o número de protões no núcleo, também o elemento que existia deixou de existir. É o que se dá, por exemplo, numa explosão nuclear com Urânio 235. Este número tem a designação de número de massa, sendo 92 – número de protões no núcleo – o designado número atómico do Urânio. A diferença entre o 235 e o 92 é o número de neutrões no núcleo. Estes átomos, muito pesados, são instáveis, perdendo, aos poucos, neutrões do seu núcleo. Ora, quando existe uma quantidade muito elevada de Urânio, já quase sem impurezas, pode dar-se o que se designa por reação em cadeia, conduzindo a uma explosão nuclear. Precisamente o que se passou com a bomba nuclear de Hiroxima. Trata-se de uma bomba constituída por certa quantidade Deutério – um tipo de Hidrogénio –, acoplada a uma bomba nuclear. Quando esta explode, gera-se uma altíssima temperatura, que funde cada dois átomos de Deutério num de Hélio, mas com uma fantástica libertação de energia. Assim, a bomba nuclear é uma bomba de fissão – ou de cisão, porque é o núcleo que se parte –, ao passo que a bomba termonuclear é uma bomba de fusão, porque se fundem dois núcleos num outro de um elemento distinto. Nestes tipos de bombas as explosões nunca derivam de reações entre átomos, mas sim ao nível dos núcleos, seja por cisão, seja por fusão.

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