O respeito pela língua francesa


Com o infeliz acidente do voo da Air Canada que custou a vida a dois pilotos, um dos quais veio a saber-se ser quebecois, o diretor executivo da companhia, Michael Rousseau, publica uma mensagem de condolências onda as únicas palavras em francês proferidas foram “bonjour” e “merci”.
Pessoalmente não sei o que se terá passado pela sua cabeça pois qualquer alma minimamente ciente da sociedade onde vive imaginaria que o resultado seria a inflamação dos espíritos mais exaltados quanto à defesa da língua francesa e mesmo da independência do Quebec.
Para que fique claro sou, dentro das circunstâncias atuais, federalista.
Mas isso não me leva a desprezar ou menosprezar a língua francesa pois estou convicto que o domínio de duas línguas – francês e inglês – é uma mais-valia para qualquer sociedade.
Qualquer cultura e suas componentes, onde se inclui a língua, são algo respeitável que contudo estão sujeitas à evolução dos tempos e das conjeturas.
A sobrevivência do francês desde alguns séculos a esta parte é um facto, mesmo fazendo parte do Canadá, sendo um dos fundadores deste.
A sobrevivência depende não tanto de fazer parte do Canadá como da dinâmica do mais importante dos seus agentes culturais: o cidadão.
Nesta perspetiva o cidadão quebecois e francófonos através do Canadá merecem o respeito de em tão importante circunstância ouvir o diretor máximo da Air Canada se pronunciar em francês. Não acredito que não houvesse ninguém do seu secretariado ou na administração que não fosse capaz de escrever duas linhas em francês.
Também não acredito que com vontade e resiliência, e aparentemente depois de aulas frequentadas, ele não fosse capaz de ler um teleponto mesmo que a sua pronúncia não fosse perfeita.
A cultura francófona, onde se inclui a sua língua, são fundadoras do Canadá e como tal devem ser acarinhadas, nem que seja pelo feito grandioso da visão e da execução da construção de um país que une as costas atlântica, pacífica e ártica.
Ainda que hajam forças internas e externas interessadas em desintegrar este feito, todos os canadianos deviam ter em consciência o valor acrescido que o Canadá oferece desta forma e a partir daí cultivar o valor interno já existente.
Já sabemos que a saída do sr. Rousseau se efetuará no terceiro trimestre do ano corrente. Agora só espero que a escolha de seu substituto tenha em conta estes valores culturais, fugindo da visão redutora que muitos tentam impor ao bilinguismo.

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