A Caminhada de Fé dos Romeiros do Québec na Madrugada de Sexta-Feira Santa


A madrugada da Sexta-feira Santa começou com o tradicional encontro dos romeiros do Québec para mais uma caminhada de fé, oração e reflexão, na companhia do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Este ano, a jornada pareceu-me mais longa do que nos anos anteriores. Ao longo de cerca de 25 quilómetros — aproximadamente 32 mil passos —, seguimos juntos num percurso marcado pela devoção e pelo silêncio meditativo.
Éramos 70 romeiros, entre eles vários veteranos que participam nesta caminhada há décadas, mas também algumas caras novas que se juntaram pela primeira vez a esta tradição.
A hora marcada para o encontro foi às 6 da manhã, no subsolo da Igreja Santa Cruz. Ali, ainda na quietude da madrugada, preparámo-nos para iniciar a caminhada.
Às 6h30, formou-se o rancho de romeiros e partimos a bom passo. Após algumas orações e cantorias, recebemos todos a bênção do pároco da missão, um momento que deu início oficial à nossa jornada espiritual.


Na frente, abrindo o caminho, seguia o Menino da Cruz, que viveu esta experiência acompanhado pelo seu irmão, pelo pai e pela mãe, partilhando em família este momento de fé. Atrás, alinhavam-se 35 pares de romeiros, devidamente trajados, onde cada peça — o xaile, o lenço, a sacola, o bordão e o terço — simboliza a Paixão de Cristo e a tradição secular das romarias.
Ao longo do caminho, entoavam-se orações como a Ave-Maria e o Santa Maria, enquanto cada romeiro meditava no significado do último dia de Jesus Cristo. Também se cantaram lindos temas tradicionais das romarias, como Ó Romeiro, Cristo Velho e A Montanha Azul, entre outros, que ajudaram a marcar o ritmo da caminhada e a fortalecer o espírito de fé entre os participantes.
Na primeira parte da caminhada, fizemos uma pequena paragem para uma merenda simples, generosamente oferecida por benfeitores habituais que, ano após ano, apoiam esta tradição.
Apesar do vento e da chuva, a romaria prosseguiu firme. Os nossos passos tinham um destino e um propósito profundo: rezar pelos romeiros de hoje e de ontem, pela comunidade, pela paz no mundo, pela cura dos doentes e por todos os pedidos que nos foram confiados.
Assim, entre oração, silêncio e partilha, continuámos esta caminhada que é muito mais do que um percurso físico — é uma expressão viva da fé e da união da comunidade portuguesa no Québec.
Mesmo com o mau tempo, a romaria chegou ao seu destino à hora marcada, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima. À porta do templo, cantámos pedindo licença para entrar. Como manda a tradição, deixámos os bordões do lado de fora. Já no interior da igreja, continuámos a cantar, ajoelhámo-nos e rezámos pelo pároco e pela sua família, por todos os fiéis da comunidade, novamente por aqueles que nos confiaram os seus pedidos e também pelos benfeitores que nos ofereceram um lanche para recuperar as energias gastas ao longo da caminhada.
Esta romaria não seria possível sem a liderança do mestre Miguel e de Duarte Amaral, bem como o apoio de João Rebelo, Joaquim Prates, José Machado e José Silva, cujo empenho e dedicação ajudam a manter viva esta tradição de fé entre os romeiros do Québec.

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