Olhos nas Letras de: Adelaide Ramos Vilela


Estimados leitores,
A rubrica Entre-Nós, apresentada na Rádio Centre-Ville na última quarta-feira de cada mês, tem como missão celebrar autores de língua portuguesa, tanto de Portugal como da diáspora. Partilhamos breves notas biográficas e excertos das suas obras, recebidos sobretudo através da Biblioteca José d’Amansor, em Montréal, ou dos próprios autores.
Contamos ainda com a parceria da Biblioteca de Palmela, que tem divulgado autores da região e criado um espaço dedicado aos nossos luso-canadianos, e com a inspiração constante do Núcleo de Leitura da Casa do Alentejo, em Toronto.
Sabendo que nem sempre é possível acompanhar a emissão radiofónica, trazemos agora este trabalho para as páginas de A Voz de Portugal, oferecendo a todos a oportunidade de conhecer, com mais tranquilidade, a riqueza literária da nossa comunidade lusófona — aqui, no Canadá e no mundo.
Neste mês de março, mês de primavera — estação em que a luz renasce e as flores despertam — quis trazer-vos a voz de uma poetisa portuguesa a quem os peruanos carinhosamente chamam “La Poeta de la Luz”, mas que pertence à nossa comunidade montrealense.
Falo de Adelaide Vilela, poetisa luso-canadiana cuja obra tem atravessado fronteiras e conquistado leitores no Canadá, no Peru, no México, no Brasil e em Portugal. A sua sensibilidade e força poética continuam a inspirar quem a lê, como tão bem afirmou a Dra. Manuela Aguiar, jurista portuguesa.
Adelaide Vilela é natural de São Jorge da Beira, concelho da Covilhã. Passou parte da sua juventude em terras de Angola, regressando a Portugal em 1975. Três anos mais tarde, emigra para Montréal, Canadá, vindo a radicar-se neste país, onde se licenciou em Comunicações pela Universidade de Montréal.
Esta escritora e poetisa tem desenvolvido a sua atividade em áreas muito diversas, desde as relações humanas e artísticas às conferências, publicidade, jornalismo e fotografia. No jornalismo, colaborou com vários periódicos, entre eles: A Voz de Portugal, O Emigrante, Lusopresse, O Milénio (Montréal), The Voice (Toronto), A Voz de Trás-os-Montes (Portugal), entre outros.
Poetisa de grande versatilidade e projeção internacional, participou durante vários anos na RDPI, no programa Novo Mundo, onde destacou figuras luso-canadianas de Montréal e regiões vizinhas. No campo musical, escreveu letras para diversos artistas e integrou projetos audiovisuais, incluindo a curta-metragem Mensonges e o filme The Last Hope. A sua presença mediática levou-a a programas de rádio e televisão no Canadá, Portugal e Açores, onde também organizou e apresentou emissões televisivas.
A nível internacional, participou em encontros literários no Uruguai, México e Peru, sendo distinguida como “Poeta da Luz” e agraciada com várias medalhas de mérito cultural. A sua obra estende-se ainda à gravação de um CD de poesia e à participação em antologias, consolidando o seu contributo para a divulgação da língua e cultura portuguesas no mundo.
Adelaide Vilela foi nomeada, há quase vinte anos, representante e presidente da Casa do Poeta Peruano no Canadá, reconhecimento que sublinha a estima e o impacto da sua obra no meio literário internacional.
É também presidente das Associações Literárias pela Paz do Mundo, cargo que reflete o seu compromisso com a cultura, o diálogo e a promoção da paz através da palavra poética.
A sua presença literária estende-se ainda à participação em revistas espanholas, entre as quais se destacam Remes e Palabras Diversas, onde publicou textos que reforçam a universalidade da sua escrita.
Obras publicadas:
Os Meus Versos Meninos
Versos do Meu Jardim
Versos e Universos
Magma de Afetos
Portugal à Janela
Cantares de Adelaide
Palabras del Corazón
Horizontes de Saudade
Laços e Abraços
Olhos nas Letras
Brisas de Verão (em colaboração com Jorge Campos)
Publicou textos em mais de quarenta antologias, espalhadas pelo mundo: Canadá, América Latina, Brasil e Europa (Itália e Portugal).
Como o espaço no jornal é limitado, apresento apenas o essencial da vasta biografia de Adelaide Vilela. O seu percurso é rico, diverso e marcado por inúmeras realizações, mas foi necessário selecionar alguns momentos significativos para melhor enquadrar a transcrição dos poemas do seu livro Olhos nas Letras.
Ainda assim, não poderia deixar de partilhar convosco um excerto do prefácio desta obra, escrito pela jurista Dra. Manuela Aguiar, que tão bem sintetiza a força e a presença desta autora:
“Adelaide Vilela é um dos nomes a não esquecer, pela sua escrita e pela ação, como mulher inteligente, empreendedora e corajosa. Em boa hora, este livro Os Olhos nas Letras chega até nós, não só no Canadá, mas simultaneamente no país natal. Nesta coletânea de poemas, Olhos nas Letras, a autora diz-nos que a vida é feita de capítulos; por isso, este livro também se divide em quatro, que vale a pena serem mencionados.”
Os temas que atravessam esta obra de Adelaide Vilela são vastos e profundamente humanos. Entre eles destacam-se:
O sentido da existência, onde a autora reflete sobre o papel da mulher no seio da família.
Trovas de emigração e saudade, evocando memórias, raízes e afetos que persistem na distância.
Sociedade e inspiração, com olhares atentos sobre o mundo que a rodeia.
Dor, desamor e desilusão, explorando as sombras que também fazem parte da vida.
Na escolha dos poemas a apresentar, procurei textos que dialogassem com o momento que vivemos. Este, escrito presumivelmente em 2017, mantém uma atualidade impressionante — talvez até maior hoje. Vivemos um tempo em que muitos sentem cansaço, desilusão e até receio perante um mundo que parece perder autenticidade, e por isso esta leitura ganha especial ressonância.
Adelaide Vilela transforma esse sentimento em poesia, revelando uma notável capacidade de converter inquietação em palavra viva. É essa força expressiva que torna o poema particularmente marcante e que convida o leitor a mergulhar no que se segue.
(poemas mantidos como no original)
Termino agradecendo a atenção dos leitores e o carinho com que acolhem esta partilha literária. Que a poesia de Adelaide Vilela continue a iluminar-nos, tal como a primavera que se anuncia, lembrando-nos de que a palavra pode sempre abrir novos horizontes.

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