Ferma Imports: Tradição, Renovação e Compromisso com a Comunidade

Já passou um ano desde que a comunidade luso-canadiana se despediu de uma das suas figuras mais marcantes. António Belas, um dos grandes pioneiros da comunidade de Toronto, deixou-nos fisicamente — mas permanece vivo na memória coletiva de Montreal, Toronto e muito além-fronteiras.
Fundador da Ferma Imports, António Belas foi mais do que um empresário visionário. Foi um construtor de pontes entre Portugal e o Canadá, um verdadeiro pilar da comunidade, um homem que transformou trabalho árduo em legado.


Com determinação, coragem e um orgulho inabalável nas suas raízes, criou uma empresa que se tornaria essencial na importação de produtos portugueses. Graças à sua visão, milhares de famílias puderam continuar a saborear Portugal à mesa, mantendo vivas tradições, memórias e identidade, mesmo a milhares de quilómetros da terra natal.
Ao longo das décadas, a Ferma Imports não se limitou a abastecer supermercados e restaurantes. Tornou-se presença constante em eventos culturais, festivais e iniciativas comunitárias. António Belas compreendia algo fundamental: o sucesso de uma empresa mede-se também pela força da comunidade que a sustenta. E retribuir nunca foi para ele uma opção — foi sempre um princípio.
A sua partida deixou um vazio profundo. No entanto, o seu legado continua a respirar em cada contentor descarregado, em cada parceria consolidada, em cada celebração da cultura portuguesa que ajudou a fortalecer em Montreal e Toronto. A história da Ferma Imports é, acima de tudo, o reflexo da sua visão, da sua generosidade e do seu espírito comunitário.
Este não é apenas um artigo de homenagem. É o retrato de uma continuidade. De uma nova etapa que honra o passado, mas que olha para o futuro com renovada energia.
Na semana passada, visitei as instalações da Ferma Imports, em Montreal. O ambiente é de trabalho intenso, mas também de entusiasmo. Há movimento no armazém, há dinamismo nos escritórios, há uma sensação clara de crescimento.
Foi nesse contexto que conheci Sandra Lopes, a nova gestora de operações — e, para muitos, o novo pilar operacional da empresa acompanhado pelo seu irmão Jason Lopes que está em cargo Representante Comercial e Gestor de Armazém.
Determinada, direta e profundamente ligada à história familiar da Ferma, Sandra assume funções com consciência do peso do legado que carrega — mas também com ideias próprias e vontade de inovar.
“Sou mãe. Sempre fui muito trabalhadora. Sou dedicada ao trabalho e às pessoas”, afirma. “Estar na Ferma é uma honra. Posso trazer inovação, mas mantendo a tradição e a qualidade. Isso é fundamental.”
Quando fala de António Belas, a emoção é evidente: “Foi um homem muito importante. Um excelente empresário. Quero manter o que ele construiu e tornar a empresa ainda melhor.”
Após o seu falecimento, a presidência foi assumida por Fernanda Pereira Belas. A empresa não está à venda — pelo contrário, está em expansão.
“Estamos a crescer. Contratámos novos colaboradores, o departamento de embalagens está a desenvolver-se rapidamente e, com a chegada dos nossos próprios contentores, o armazém está mais ativo do que nunca.”
A nova fase da Ferma passa também por recuperar e reforçar o compromisso comunitário. A empresa voltou a contactar organizações e festivais portugueses, demonstrando vontade clara de apoiar iniciativas culturais.
“Queremos contribuir. Queremos fazer parte. Esse espírito sempre fez parte da empresa e queremos reforçá-lo.”
Num momento em que a comunidade portuguesa enfrenta desafios geracionais e dispersão geográfica, Sandra reconhece a importância de manter raízes fortes. “À medida que as gerações passam, a presença vai diminuindo. Mas nós continuamos aqui. Queremos reforçar essa ligação.”
Além dos tradicionais produtos portugueses, a Ferma começou também a distribuir algumas marcas brasileiras e produtos destinados à comunidade africana, embora o foco principal continue a ser Portugal. Há investimento nas especiarias embaladas internamente, novos envios, novas parcerias e uma estratégia de crescimento sustentado.
E os planos não ficam por aqui.
Sandra fala com entusiasmo sobre a possibilidade de um pequeno cash & carry, aproveitando o espaço disponível no edifício. Em Toronto, o conceito da Ferbel Café — mistura de loja e café — é visto como inspiração para o futuro.
Entretanto, o investimento no espaço físico já é visível: novo telhado, substituição de janelas, renovação de mobiliário.
“Coloquei música. Dei mais vida ao espaço. Agora as pessoas vêm trabalhar felizes. Isso significa muito para mim.”
Após a nossa conversa, Sandra fez questão de acrescentar uma reflexão pessoal, especialmente por se aproximar o primeiro aniversário da partida de António Belas, a 4 de março.
“É importante reconhecer o impacto que ele teve nas comunidades portuguesas de Montreal, Toronto e Otava. Este artigo é uma forma de honrar a sua memória. Ele continua a ser um pilar desta empresa.”
Mais do que palavras, o compromisso é claro: fortalecer laços, apoiar eventos, investir na comunidade e continuar a construir sobre as bases sólidas deixadas por António Belas.
Porque há legados que não terminam. Transformam-se.


A Voz de Portugal: Quais são os novos produtos disponíveis?
Sandra Lopes: Começámos a distribuir alguns produtos brasileiros, como Sinhá, Pinduca, Madrugada, Amafil, Sazón, Camil, Júlia e Santa Helena. Também estamos a introduzir alguns produtos para a comunidade africana, como derivados de mandioca, mas decidimos manter o foco nos produtos portugueses.
Estamos a trabalhar muito na área das especiarias — embalamos as nossas próprias especiarias. Temos uma excelente relação com o nosso fornecedor; a qualidade é fantástica.
Também recebemos um novo envio da Goya, com vários produtos, como farinha, conservas, temperos, vinagres e muito mais. Estamos a receber diferentes tipos de peixe. Conhecemos bem o nosso mercado e os nossos clientes, por isso não queremos afastar-nos da nossa identidade; no entanto, sempre que vemos uma oportunidade de crescimento, avançamos.


A.V.P.: Há planos de expansão no futuro? Algo como supermercados de grande dimensão?
S. L.: Nós já fornecemos muitos supermercados. Quanto à expansão, adorava. Tenho tantas ideias que gostaria de concretizar.
Gostava de abrir um pequeno “cash & carry”. Não sei se vai acontecer, mas as ideias estão a surgir. Se olhar para a nossa entrada agora, temos uma prateleira com os nossos produtos. Estou a tentar reduzir o desperdício — se vejo produtos perto do prazo de validade ou caixas abertas com algum dano que não podemos vender normalmente, abrimos e vendemos aqui o restante.
Isso também dá oportunidade aos clientes de conhecerem outros produtos que comercializamos, porque muitos pensam que só vendemos peixe — mas não é apenas isso. Estamos a crescer bastante.
Em Toronto existe a Ferbel Café, que é fantástica — é como um pequeno café: vendem produtos em pequenas quantidades e têm refeições prontas. É uma excelente ideia e acho que funcionaria muito bem aqui.
Temos muito espaço neste edifício; há uma parte lateral que praticamente não está a ser utilizada. Temos uma garagem e armazém, mas há muito potencial para expandir nessa área.
Entretanto, temos investido no edifício: fizemos um telhado novo, estamos a substituir as janelas e vamos comprar secretárias novas. A energia aqui é fantástica. Coloquei música, dei um pouco mais de vida ao espaço. Agora as pessoas vêm trabalhar felizes. Isso significa muito para mim.


A.V.P.: Tem alguma mensagem para a comunidade?
S. L.: Contratámos novos colaboradores à medida que a empresa continua a crescer, o nosso departamento de embalagens está a desenvolver-se rapidamente e, com a chegada dos nossos próprios contentores, as operações do armazém estão mais dinâmicas do que nunca.
Quanto à minha mensagem aos leitores, gostaria de incluir, em honra do aniversário do falecimento de António Belas, a 4 de março, uma reflexão que reconheça a sua presença e as contribuições que fez às comunidades portuguesas de Montreal, Toronto e Portugal. Com a aproximação do primeiro aniversário, sinto que é importante reconhecer o seu legado e o impacto que teve na nossa comunidade. Para mim, este artigo é uma forma de honrar a sua memória e reconhecer tudo o que alcançou e representou. Ele continua a ser um pilar desta empresa. Queremos dar continuidade a esse legado, contribuindo ainda mais para eventos e festivais comunitários e fortalecendo as relações com a nossa comunidade.
De certa forma, é também importante agradecer a toda a equipa da Ferma Imports, que realiza um trabalho extraordinário todas as semanas.
No escritório: Isaura Câmara, Kariny Sopranzi e Roberta Paulino.
No armazém: José Figueiredo, José Augusto Lousada e Marco Martins Moreira.
Motoristas: Willens Poteau, Mike Medeiros, Mike Amaral, Simon Lavergne e Duarte Fróias.
Embalagens: Isabel Cadete, Mathew Teixeira, Li Zhen Fan e Laura Lopes de Melo.
Vendas: Jason Lopes, Victor Badica e Filipe Assunção.
E, na Ferma Imports, a história continua a escrever-se — com respeito pelo passado e ambição no futuro.

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