Joaquim de Almeida Silva, produtor da Quinta Vale de Pios, no Douro Superior, começou na arquitetura, mas acabou por seguir a sua paixão pelo vinho. Hoje dedica-se a um projeto focado na autenticidade, no respeito pelo terroir e numa ideia simples: criar vinhos com pouca intervenção e prontos a beber.
Depois de o ter entrevistado há dois anos na rádio, voltei a encontrá-lo em Montréal, na agência Le Vin dans les Voiles, que representa os seus vinhos no Québec. Foi uma boa oportunidade para falar das novidades e revisitar alguns dos seus vinhos mais conhecidos.
Um terroir com identidade
A quinta fica em Barca d’Alva, no Parque Natural do Douro Internacional. Tem cerca de 10 hectares de vinha, cultivados com práticas biológicas.
O clima é típico do Douro Superior: dias muito quentes e noites frescas. Esta amplitude térmica ajuda a preservar a frescura e os aromas das uvas. Os solos de xisto e a baixa precipitação obrigam a videira a desenvolver raízes profundas, dando origem a vinhos concentrados e com carácter.

A produção ronda as 55 mil garrafas por ano, o que permite um controlo de qualidade muito próximo.
O nome “Vale de Pios” vem do som dos pássaros que se ouvem constantemente na propriedade.
Excomungado 2021: um nome que ficou
O Excomungado Douro 2021 é um dos vinhos mais conhecidos da casa. É feito com Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão.
O nome surgiu porque o vinho não chegou a estagiar em barrica, como inicialmente previsto. A decisão não agradou ao produtor, que acabou por lhe dar este nome provocador. Apesar disso, o vinho tornou-se um sucesso.
É um tinto com boa fruta, frescura e estrutura, fácil de gostar.
Zero Zero: mínima intervenção
O Zero Zero não é um vinho sem álcool. O nome refere-se à filosofia de intervenção mínima.
Produzido com Tinta Cão e Touriga Nacional, é um vinho mais direto e natural, que procura expressar a uva e o terroir sem grandes intervenções enológicas.
Pássaro Solto Branco: fresco e versátil
O Pássaro Solto Branco é um vinho leve e aromático, feito com Viosinho, Rabigato e Gouveio.
Apresenta boa acidez e funciona bem como aperitivo ou a acompanhar pratos leves, como peixe e marisco.
Vinhas das Arzilas 2011: produção limitada
O Vinhas das Arzilas 2011 é um vinho mais raro, com apenas 1.200 garrafas produzidas.
É elaborado de forma tradicional, com pisa a pé em lagares de pedra, logo após a vindima. Mostra elegância, profundidade e ainda um notável potencial de envelhecimento.
Se encontrar uma garrafa, vale a pena comprar duas: uma para beber e outra para guardar durante alguns anos.
Vinhos prontos a beber
A filosofia da quinta é simples: produzir vinhos que estejam prontos a beber quando chegam ao consumidor.
Hoje, muitos consumidores não querem ou não podem guardar vinho durante anos. Estes vinhos oferecem qualidade e prazer imediato, sem necessidade de espera.
Presença no Québec
Os vinhos da Quinta Vale de Pios estão presentes em cerca de 200 restaurantes no Québec. Podem ser encontrados na SAQ e também através de importação privada, pela agência Le Vin dans les Voiles.
A quinta recebe também visitantes, com provas e refeições mediante marcação.
Tendência do mercado
Segundo Joaquim, o mercado está a mudar. Depois de uma fase de preferência por vinhos mais leves, nota-se agora um regresso ao interesse por vinhos mais estruturados e gastronómicos.
Uma tendência que encaixa perfeitamente no estilo da Quinta Vale de Pios.
