Quem nunca viveu as Festas do Divino Espírito Santo em Rabo de Peixe dificilmente compreenderá a sua dimensão humana, religiosa, cultural e espiritual.
Aqui, o Espírito Santo não é apenas uma tradição herdada dos nossos antepassados. É uma forma de viver. É uma identidade. É uma alma que atravessa gerações.
Ao longo destas semanas vemos os Impérios do Espírito Santo abrirem as suas portas. Vemos as Bandeiras da Beneficência e da Caridade percorrerem as nossas ruas como sinais vivos da solidariedade e da partilha que caracterizam este povo. Vemos as Despesas dos Homens do Mar e dos Homens da Terra recordarem as nossas raízes, a nossa história e a gratidão de um povo que aprendeu a viver entre o mar e a terra, sempre com os olhos postos em Deus.
Assistimos ao Cortejo do Pão, aos carros de bois que continuam a transportar séculos de memória, às coroas e bandeiras que percorrem a freguesia num testemunho impressionante de fé popular.
Vemos a bênção do pão. A bênção da carne. Vemos milhares de pessoas reunidas à mesma mesa, porque aqui a abundância não é privilégio de alguns, é a alegria partilhada por todos.
Aqui vemos os nossos quartos onde estão as coroas e bandeiras artisticamente decorados, preparados com um cuidado extraordinário, revelando uma grande criatividade e um sentido estético superior.
E depois vemos as nossas celebrações…
Celebrações com alma, um povo que canta. Um povo que reza. Um povo que se envolve na ornamentação dos espaços, na preparação das celebrações…
Como pároco desta comunidade, tenho o privilégio de assistir a tudo isto de perto.
Por isso, custa-me compreender que uma das maiores manifestações populares e religiosas dos Açores continue tantas vezes ausente dos olhares da comunicação social regional.
Não pedimos favores, elogios nem destaque especial.
E isso torna-se difícil de compreender.
Talvez porque seja mais fácil alimentar preconceitos do que reconhecer virtudes.
Não precisamos da validação de ninguém para continuar a ser aquilo que somos.
Continuaremos a erguer as nossas bandeiras.
Continuaremos a abrir os nossos Impérios.
Continuaremos a partilhar o pão e a carne.
Continuaremos a reunir as nossas famílias.
Continuaremos a celebrar o Divino Espírito Santo com a mesma fé, a mesma alegria e a mesma generosidade que herdámos dos nossos pais e avós.
Porque estas festas não vivem das câmaras.
Vivem do coração de um povo.
E esse coração continua a bater forte em Rabo de Peixe.
AS NOSSAS GRANDES FESTAS…
