Estamos a caminhar tranquilamente em direção às festas de Natal, época em que normalmente nos reunimos em família ou entre amigos. As crianças estão sempre presentes e ansiosas por saber o que o Pai Natal lhes deixou no sapatinho ou junto ao pé da árvore de Natal.
Aqui no Canadá, o frio e a neve fazem parte da época natalícia, mas também fazem com que nos recolhamos nas nossas casas, cada um na sua, e Deus em todas.
Numa conversa de café com uma pessoa amiga, acabamos por descobrir que muitas pessoas estão a passar por momentos de solidão e que, nesta época de Natal, tudo se torna ainda mais difícil, sobretudo quando não se tem uma família que nos receba ou junto da qual possamos ser recebidos. Com a idade, a coisa complica-se e torna-se mais difícil encontrar alguém, desabafou este amigo, acrescentando que, daqui a pouco, eu iria para casa, onde a minha companheira estava à minha espera, enquanto ele não tinha ninguém, nem mesmo um cãozinho, um gato ou um papagaio. Falando em cães, lembro-me, mais precisamente, de uma cadelinha de uma família amiga minha, que é bisneta de outra cadela, de raça Cão de Água Português, que teve de ser eutanasiada. É das coisas mais difíceis de enfrentar para quem tem animais de estimação, sobretudo aqueles que vivem connosco dentro de casa. Basta saíres por dois minutos e regressares para veres os cães a saltar de alegria, verdadeiramente radiantes por te voltarem a ver.
Mas, quando se vive sozinho, a solidão pode pesar ainda mais. Às vezes, um cão pode ser uma excelente companhia, trazendo carinho, alegria e uma presença amiga à vida de quem vive só.
Talvez seja também por isso que devemos olhar com mais atenção para aqueles que nos rodeiam. Nem todos têm uma família à sua espera, alguém com quem partilhar a mesa de Natal ou uma pessoa a quem possam telefonar para conversar. Um pequeno gesto, uma visita ou um simples convite podem fazer toda a diferença na vida de alguém.
Porque o Natal não deve ser apenas uma época de presentes, mas também de partilha, carinho e solidariedade.
“Mais bonito que o canto dos pássaros, são seus voos… nem todo o canto é de alegria… mas todo o voo é de liberdade”, Mário Quintana
Coisas do Corisco
