Sonia Bélanger foi nomeada ministra da Saúde do Quebeque, na sequência da demissão de Christian Dubé, numa mudança governamental marcada por circunstâncias pouco usuais.
A tomada de posse decorreu de forma discreta, no gabinete da vice-governadora, em Quebeque, sem a presença do primeiro-ministro François Legault. Não houve, igualmente, qualquer convocatória oficial dirigida aos órgãos de comunicação social.

“Estou muito honrada com a confiança que o primeiro-ministro deposita em mim. O desafio é gigantesco e sinto-me preparada para o enfrentar”, afirmou Sonia Bélanger, confirmando a sua nomeação à saída do encontro.
Até agora ministra responsável pelos Idosos e pelos Serviços Sociais, Bélanger passará a acumular estas funções com a pasta da Saúde. Segundo informações do Gabinete Parlamentar, François Legault deverá nomear, após as férias de Natal, um adjunto para apoiar a nova ministra na gestão das duas áreas.
A governante limitou-se a ler uma breve declaração, sem responder às perguntas dos jornalistas.
Percurso profissional
Enfermeira de formação, Sonia Bélanger construiu um percurso profissional sólido na área da saúde, tendo ascendido a cargos de liderança até se tornar presidente-directora-geral do CIUSSS do Centro-Sul da Ilha de Montreal.
Ingressou na política em 2022, eleita deputada pela Coalition Avenir Québec (CAQ).
A demissão de Christian Dubé apanhou de surpresa o primeiro-ministro, na quinta-feira. Uma fonte governamental classificou o gesto como “impulsivo”, sublinhando que o agora ex-ministro optou por passar a deputado independente, em vez de apoiar a CAQ nas futuras alterações à chamada Lei 2, diploma da sua autoria.
Essa lei, que altera o modelo de remuneração dos médicos, deverá sofrer modificações significativas na sequência do acordo alcançado entre o governo e a Federação dos Médicos de Clínica Geral do Quebeque (FMOQ). Entre os pontos acordados está o abandono das penalizações financeiras previstas para os médicos que não atinjam os objectivos estabelecidos.
Legault justifica decisão
Na sexta-feira de manhã, François Legault explicou publicamente a decisão de afastar Christian Dubé das negociações com os médicos.
“Enquanto primeiro-ministro, considerei que tínhamos ido suficientemente longe e que era tempo de chegar a um entendimento com os médicos, para evitar a degradação do sistema de saúde”, escreveu Legault na rede social X. Acrescentou que reassumiu o controlo das negociações, com o apoio de France-Élaine Duranceau, para se concentrar nas reformas essenciais destinadas a melhorar os serviços prestados à população.
