Questionar a Sociedade: como preparar para reformar o irreformável?


Uma das questões mais prementes presta-se a reformar as estruturas da sociedade para que esta se apresente capaz para os novos desafios e apta a desenvolver perspetivas sérias para as gerações subsequentes.
Só por si é um enorme desafio. Como explicar às pessoas que as suas capacidades serão inúteis em pouco tempo? Ou que as necessidades económicas, conjetura ou outros desafios tornaram-nas obsoletas profissionalmente? Pensemos na camada da população menos inclinada à atividade abstrata, cujas capacidades técnicas as tornam importantes em ocupações manuais. Ou aqueles que emigram, de regiões onde ainda falta acesso a estudos avançados e consequentemente os coloca numa posição frágil em termos de grau de educação académica. Mesmo nos países mais avançados, que fazer com as camadas da população que não se entregam a prolongar os seus estudos preferindo o rápido acesso ao mercado de trabalho para ganhar a sua independência – frágil por sinal, mas ainda assim independência, baseada em trabalho de baixa valia e consequentemente pouco remunerado?
Sabemos pelos estudos sociológicos e económicos que as sociedades necessitam de se adaptar constantemente, como qualquer individuo na sua vida. E quando não se adapta, a obrigação virá de fora levando a um de dois desfechos: ou a sociedade se adapta ou perece. A questão deveria ser levantada pela própria sociedade. Infelizmente o espaço público é dominada pelos ideólogos de algibeira, comentadores propagandistas, perdendo-se a racionalidade neste jogo estéril de discussão absurda. Recentemente o autor do livro “AI For Good” (Inteligência Artificial para o Bem), Josh Tyrangiel, dizia que conversou com duas personalidades mediáticas de campos opostos políticos: Bernie Sanders e Steve Bannon. Sobre o tema da IA e seu impacto na sociedade, curiosamente eles foram coincidentes na proteção dos trabalhadores e membros da sociedade face à possibilidade da transformação profunda que a IA pode trazer à sociedade. Em conversas privadas, quando longe dos holofotes da loucura mediática, há um vislumbrar de razão capaz de trazer adversários políticos pelo menos a um consenso: é preciso reformar! Sabemos como acabam sociedades onde a riqueza e a facilidade são tão elevadas face à sua conjuntura: a queda nos vícios, nos desvarios escondidos na natureza humana mas prontos a ressurgir quando as condições favoráveis se aprestam. Para além do impacto económico, há um impacto humano que deveria estar a ser colocado à sociedade, diria mesmo à Humanidade, face ao poder de impacto cada vez maior de cada individuo e consequentemente de um grupo. Imaginem ter uma sociedade onde todo o trabalho de sustentação à vida humana estaria automatizado.
Desde a agricultura à produção de energia, passando pelo vestuário ou mesmo decisões políticas, estariam sobre a alçada inteligente de um sistema que nos manteria longe das tarefas aborrecidas e cansativas.
Imaginem o tempo livre à disposição! Como empregaríamos esse tempo? Vemos o que sucede quando indivíduos na nossa sociedade o empregam: emprego da satisfação dos sentidos. Estará a Humanidade preparada? Está esta discussão a ser veiculada convenientemente a todos para uma melhor preparação para o que aí vem? Não me parece. Em algumas sociedades por precaução, em outras por puro desacerto com a realidade. É simples confirmar, com as necessárias variações próprias de cada situação: as guerras absurdas, os “novos” conceitos transacionais de políticas interna e externa, entre outros. Em Portugal, o suprassumo do irreformável, vemos um sindicalismo geriátrico vivendo de ideologias do século XIX com a mentalidade operária do início do século passado. Vemos uma incapacidade de adaptar o Sistema de Saúde por pura ignorância ideológica. Fora, vemos uma Europa profundamente afundada em procedimentos, regulações e restrições, como um carro que acelera com o travão de mão acionado. Mas nenhuma discussão séria sobre os desafios à porta.
Nenhuma atenção às reais evidências da evolução que poderá transformar as nossa vidas como jamais conhecemos, mesmo com a revolução industrial. Os media, esses, apresentam apenas entretenimento, entretenimento, entretenimento…