60 anos do Sr. Santo Cristo e o Povo


Ocorrendo o sexagésimo aniversário da primeira festa e procissão em honra do Senhor Santo Cristo, a comunidade portuguesa de Montreal voltou a unir-se e reuniu-se para louvar e agradecer tantas graças e bênção concedidas aos longo de seis décadas.
A primeira festa, realizada no dia 15 de maio de 1966, no Parque Jarry, situado na esquina da Rua Saint-Laurent e Jarry, deixou marcas que permanecem visíveis até aos dias de hoje, de tal forma que se tornou na maior festa da comunidade portuguesa na província do Québec.
Este ano, os dias 15, 16 e 17 de maio foram preenchidos por diversas iniciativas de caris cultural e religioso mantendo-se a tradição. A organização da festa, há uns anos a esta parte, tem estado a cargo da dinâmica Associação Saudades da Terra Quebequente, composta por açorianos de garra e sem medo do trabalho.
Foram várias as entidades ligadas à política, à cultura, ao mundo associativo e aos meios de comunicação social que marcaram presença nas festividades, mas honrou particularmente a comunidade portuguesa em Montreal a visita de Sua Excelência Reverendíssima, o Sr. Dom Armando Esteves Domingues, Bispo de Angra e Ilha dos Açores, que presidiu às festas com uma dignidade e eloquência que a todos tocou. Dom Armando deixou-nos o aroma da humildade num tempo cheio de vaidades. Obrigado, Sr. Dom Armando!
Mais uma vez demonstrou-se que o MELHOR DA NOSSA COMUNIDADE SÃO AS PESSOAS. Foram cerca de quatro mil portugueses anónimos que, sem procurar qualquer tipo de reconhecimento, disseram sim e, como nos anos anteriores, marcaram presença no recinto da Missão de Santa Cruz para honrar o Senhor Santo Cristo, fazendo festa à portuguesa. Sem esta multidão incógnita, sem títulos e sem status não há festa. São as pessoas que dão vida e significado a esses momentos. E o Senhor Santo Cristo está lá, no meio desta multidão sem nome que O vem procurar ano após ano. Ele está presente e torna-se visível nesta massa de gente, principalmente no mais pobre, no mais doente, no estrangeiro, no mais aflito, desafortunado, dos que não têm voz nem nome de rua.
Esses grandes encontros anuais são importantes e causam impacto na nossa comunidade pela qualidade do ambiente, pelo acolhimento, pela música, pela boa comida e pelas conversas sem pressa. Estar no arraial do Senhor Santo Cristo em Montreal é sentir que o tempo desacelera por uns instantes tornando-se possível apreciar o momento presente.
Aqui, em Montreal, nas festas do Senhor Santo Cristo, seguimos o conselho profundamente evangélico de Valter Hugo Mãe que nos diz: “(…) não se prometem a Deus sofrimentos nem sacrifícios porque, como as mães, Ele não nos quer ver sofrer. Nunca prometas a Deus o teu sofrimento. Ajuda os Seus filhos a reencontrar o caminho para casa. Devemos prometer cantar-Lhe, alimentar-Lhe os filhos, salvar-Lhe os animais, regar as plantas, semear, proteger os livros. Caminhar em visita (…). Quem se vicia na dor desumaniza-se.”
Agradeçamos, portanto, aos que souberam sentir o desejo popular e fundaram as festividades em honra do Senhor Santo Cristo de Montreal e a todos quantos, ao longo desses sessentas anos, têm tido a coragem de manter o legado deixado, de forma especial à Associação Saudades da Terra Quebequente, gente do povo ao serviço do povo. Venham mais aniversários e festas do Senhor onde o principal ingrediente é cultura portuguesa/açoriana.