A Andorinha no Santo Cristo

Ok, miúdos e miúdas de todas as idades, o Senhor Santo Cristo este ano foi mesmo uma maravilha e chegou com alguns desafios, como tudo aquilo que realmente vale a pena. Os voluntários, a boa comida e as pessoas que fazem com que tudo isto funcione foram simplesmente um espetáculo.
Mas, até à última hora, ainda existia um grande mistério sobre se a nossa procissão iria passar ou não. Os políticos, com leis que muitos consideram injustas, ainda chegam a dificultar a forma como as pessoas se podem reunir e celebrar com alegria nas ruas, onde a liberdade de expressão e de convivência deveria prevalecer.
Mas, ainda assim, eu gosto de celebrar a arte, o cinema e a cultura da nossa diáspora portuguesa, e viro as costas aos maus olhares e à política que tenta travar o que é do povo!
As bifanas estavam deliciosas, o bar servia bebidas com gosto e com um sorriso que nos fazia sempre querer voltar para continuar a celebrar a nossa grande festa. As paninas de massa crua passavam à minha frente para serem fritas, e aquele cheirinho ainda hoje aquece o meu coração.
O Jorge Ferreira fez a sua habitual e notável presença, e fiquei cheia de entusiasmo quando o vi lá durante o dia, a cantar e a ensaiar com a sua banda e também com o seu DJ, em preparação para a noite. Desta vez, até consegui falar com ele durante dois minutos! A verdade seja dita: é muito raro ver-me numa festa portuguesa, mas quando me dizem que o Jorge Ferreira vai estar presente, sou das primeiras a chegar! As suas canções fazem-me lembrar a minha infância, quando dançava em grupos folclóricos e ouvia as suas músicas nas caves de igreja com as minhas priminhas. Adoro a música “pimba” do Jorge Ferreira e as letras das suas canções!
Mas pronto, já lá vai o tempo em que era miúda. Agora cheguei ao Santo Cristo com a minha Vespa vermelha, a beber um Sumol e rodeada de motociclistas, tudo para honrar o Senhor Santo Cristo.
Houve muitos momentos bonitos e pessoais que adorei ver, mas um que ficou comigo foi este: um rapazinho de 3 aninhos, de camisa vermelha e com um carrinho na mão, que não queria ouvir nem o avô nem a mãe… e que fugia de um lado para o outro enquanto o Santo Cristo saía da igreja.
Esse menino acabou por se acalmar nos braços do pai, mesmo em frente ao Santo Cristo. E o pai, emocionado, com o filho ao colo, continuou a ajudar a conduzir os homens que levavam o Santo Cristo.
Ciao, andorinhas livres.