Talvez anteontem, certo jornalista ainda jovem, creio que da SIC Notícias, com um sorriso visível, noticiou que o juiz Carlos Alexandre, por via de uma queixa contra si apresentada ao Conselho Superior da Magistratura, iria ser analisado nesta segunda-feira, já em vigor há quase 12 horas. Bom, sorri, até de um modo aberto, embora sem perceber se o jornalista acreditava no setor da Justiça, ou não.
A queixa apresentada, contra Carlos Alexandre, ao Conselho Superior da Magistratura suporta-se em comentários publicados pelo juiz desembargador nas redes sociais sobre processos judiciais e figuras políticas, desde a Operação Marquês a António Costa e até a opção do atual Presidente da República em continuar a viver nas Caldas da Rainha.
Estou convicto de que este tipo de atuação de um juiz é único em Portugal, para lá de um outro bem pior, mas que teve o desfecho esperado. E também acredito que uma tal situação não deverá ter lugar na generalidade dos países.
O interessante, no meio de tudo isto, é que nas televisões continua a repetir-se, mesmo à saciedade, que Portugal é um Estado de Direito Democrático.
As nossas televisões tornaram-se, desde há muito, no principal fator de descrédito da nossa III República. A Direita, mesmo a Extrema-Direita, assentaram arraiais em nossa casa, graças, precisamente, às televisões.
Encontro-me, pois, na dúvida sobre as causas do leve sorriso do tal jovem jornalista. Se é verdade que o plenário do Conselho Superior de Magistratura se reúne nesta segunda-feira, já dentro do mês de junho, para decidir se existem fundamentos para a abertura de um processo disciplinar, também o é que se podem colocar dúvidas sobre o resultado final: haverá processo disciplinar, ou não? Como apostador, conhecendo bem o funcionamento do tempo republicano português, opto aqui pela negativa.
Mas vamos esperar.
SONHAR ACORDADO: Não Faltam Jornalistas a Acreditar na Justiça
