És um mês estranho.
Tens o dom de guardar, ao mesmo tempo, as maiores alegrias e as saudades mais profundas. És como um jardim onde flores e lágrimas aprenderam a crescer lado a lado.
Sempre que regressas, recordas-me que há dias capazes de mudar uma vida inteira. Há momentos em que o coração descobre um sentido novo para tudo, em que o céu parece tocar a terra e a alma percebe que nunca mais será a mesma.
Mas tu também conheces o peso da ausência. Sabes que existem pessoas que um dia deixaram de caminhar ao nosso lado, mas nunca deixaram de habitar o nosso coração. O tempo passa, as estações mudam, a vida segue o seu ritmo… e, no entanto, há presenças que continuam vivas em cada gesto, em cada lembrança, em cada oração.
É por isso que nunca sei se devo sorrir ou chorar quando chegas. Talvez não tenha de escolher. Talvez a vida seja mesmo isto: aprender que a alegria e a saudade podem viver na mesma casa.
Julho, quando volto a encontrar-te, lembro-me de que Deus nunca escreve uma história feita apenas de luz ou apenas de sombra. Ele entrelaça o amanhecer com o entardecer, a festa com o silêncio, o encontro com a saudade. E, no fim, tudo ganha sentido.
Foi no mês de julho, a 21 de julho de 2002, que Deus me concedeu uma das maiores graças da minha vida: celebrar a minha Missa Nova, nas Velas, na ilha de São Jorge. Foi o início de um caminho de entrega, de serviço e de amor, que continua a dar sentido à minha vida.
Mas foi também em julho, a 23 de julho de 2023, que a vida me pediu uma das despedidas mais dolorosas: a partida da minha irmã Alda. Desde então, julho passou a ter o rosto da saudade.
Talvez seja por isso que nunca consigo viver este mês de forma indiferente. Em poucos dias, ele faz-me percorrer os extremos da existência: leva-me ao altar onde agradeci o dom da minha vocação e conduz-me ao túmulo onde confiei a Deus uma pessoa que sempre fará parte da minha vida.
Obrigado por regressares todos os anos. Obrigado por me lembrares de onde venho e para onde vou..
Tu és muito mais do que um mês.
És um lugar da minha alma.
Julho… Lugar da Gratidão e da Saudade
