Sucedem-Se as Coisas Mais Estranhas, e Tudo Bem
Já só mesmo raros portugueses não terão percebido que Portugal atravessa um verdadeiro tempo de fantástico, em que inusitadas situações se vão sucedendo. Os próprios tempos de antena televisiva, aos poucos, vão perdendo poder de referenciação e mesmo importância.
Finalmente, um tribunal determinou-se a pôr alguma ordem naquela barafunda dos cartazes do Chega! Espero, agora, que André Ventura se determine a colocar um conjunto de outros, mas com a frase OS MEMBROS DA OPUS DEI TÊM DE CUMPRIR A LEI. Ou, ainda, OS DETENTORERS DE SOBERANIA TÊM DE CUMPRIR A LEI. Ou, muito acima dos restantes, OS NORTE-AMERICANOS E OS ISRAELITAS TÊM DE CUMPRIR O DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO. Ver-se-á, depois, o que irão fazer os tribunais, embora seja de ter cuidado com Trump e Netanyahu…
Ora, nestas últimas horas foi assassinado em Moscovo mais um tenente-general da Federação Russa. Morto à bomba, ou seja, por uma metodologia terrorista. E logo me ocorreu ao pensamento as ações da histórica LUAR, ao redor da qual José Pacheco Pereira mostrou ontem um novo livro, mas sobre o nosso concidadão Fernando Pereira Marques.
Na circunstância do programa de ontem, o que também logo me ocorreu foi o nosso concidadão Hermínio da Palma Inácio. Ora, este nosso concidadão, tal como a sua estrutura – a LUAR – atuaram com violência contra estruturas do Estado, durante a II República. Se acaso não percebi mal, creio que Mário Soares terá explicado a Hermínio da Palma Inácio que as ações da LUAR, ainda que praticadas por bem – contra a tal ditadura da II República –, tornavam desaconselhável o exercício de cargos públicos, fosse com Palma Inácio ou com qualquer um dos seus colegas da LUAR. Perante isto, e em face do que agora se viu com o homicídio do tal tenente-general russo, deixo esta pergunta: afinal, quando é que se está perante uma ação terrorista?!
Invariavelmente, não perco O PRINCÍPIO DA INCERTEZA, nas noites de domingo, na CNN Portugal. A verdade, porém, é que o sumo do programa vem diminuindo a cada semana que passa. Sobretudo, por parte de José Pacheco Pereira, que bem podia tentar recordar o genocídio dos muçulmanos de Gaza, bem como a velhinha invasão da Cisjordânia, tudo de parceria com a acusação do TPI a Netanyahu, prestes a ser perdoado dos três crimes de corrupção de que é suspeito em Israel. Quando fala, Pacheco só se lembra de… Putin. Volta que não volta, lá diz qualquer coisinha de Trump, mas logo segue em frente. A verdade é que em Portugal o que é bom acaba muito depressa. E depois, era muito mais fácil bater no velho Estado Novo do que criticar hoje Donald Trump…
Aí estão, mais uma vez, os nossos médicos, enfermeiros e outros profissionais da Saúde. Como se tudo corra sobre rodas, surgiu-nos hoje Ana Paula Martins a garantir que não irão ser dadas férias, neste tempo natalício e frio, aos profissionais de saúde. Sim, porque os portugueses, mormente os doentes, estão primeiro e não podem ser abandonados. Espantosamente, os nossos jornalistas não a confrontaram com o longuíssimo tempo de espera para se falar com o SNS 24… Somos um país em deliquescência.
De modo concomitante, regressou o conflito de há perto de um ano, entre os Estados Unidos – Trump é o Presidente dos Estados Unidos – e a Dinamarca, de novo ao redor da Gronelândia. Bom, temos de esperar, de molde a perceber o que irá fazer o delegado especial de Trump para a Gronelândia. E também para podermos comparar a reação dos tais fracos políticos europeus, alguns deles estúpidos – foi como Trump os classificou, e sem reações –, perante a nova investida de Trump na grande ilha dinamarquesa, olhando o vigor que (fingem) mostrar contra a Federação Russa.
Mas Portugal vai, de facto, num rumo objetivamente deliquescente. Em mais um lar, localizado no Algarve e já noticiado como ilegal – será assim? –, um senhor de idade muito avançada, entrado ali recentemente, matou um outro, que já lá estava, e terá ferido mais dois!! Uma realidade de probabilidade muito elevada, como, há uns dois anos, salientei a uma enfermeira muito competente e sabedora e minha conhecida. O terrível drama dos idosos…
Por fim, o debate de ontem, entre Catarina Martins e Jorge Pinto. Um debate que, por falta de atenção, mereceu dos comentadores o qualificativo de morno… Não tendo, de facto, sido assim, a verdade é que tomo aqui a iniciativa de convidar o leitor a revisitá-lo. Se necessário, duas ou mais vezes, mormente naquela parte em que a nossa eurodeputada expôs o que Maria Luís Albuquerque está a tentar pôr em marcha, ao nível da União Europeia.
Ora, numa das duas eleições mais recentes, Luís Montenegro garantiu que as reformas não iriam baixar. Já com 78 anos, depois de ter visto o que se tentou no Governo de Passos Coelho, não acreditei. E creio ter escrito o seguinte: de facto, por iniciativa do Governo de Portugal as pensões não irão baixar, mas Luís Montenegro deverá saber que algo, em tudo equivalente, deverá estar para vir da União Europeia. Depois, Montenegro dirá: não foi o Governo, nós apenas aplicamos as determinações da União Europeia.
Pois, caro leitor, Catarina Martins explicou ontem o que está a tentar fazer Maria Luís Albuquerque em Bruxelas. De um modo simples, o mecanismo será este, já por mim apontado há muito, mas por mera conjetura: cada português continuará a receber a sua pensão por inteiro, mas ao bolso, em cada mês, só chegarão, por exemplo, 80 %, porque os restantes 20 % serão investidos em capital de risco. Se tudo correr bem, receberá o resto mais tarde e atualizado com algum benefício, mas se correr mal, bom, o problema passará a ser de cada um.
Siga, pois, o meu conselho, caro leitor: veja o debate de ontem entre Catarina Martins e Jorge Pinto, prestando a máxima atenção à passagem em que a eurodeputada explica o que está a tentar fazer-se, em Bruxelas, com as nossas reformas. E já agora: que é feito do PS, do PCP, do Livre, do BE e de académicos muito credenciados, como Francisco Louçã?
