Um dia Triste

Chove sem parar há três dias. Devagarinho, miudinho, como que para chatear os que gostam de sol, como eu. Um céu baixo, de cor cinzenta, oprime a cidade.

E aqui estou eu, tristonho, arrepiado de frio, como um passarinho molhado empoleirado num fio de telefone. O vento hoje anda a correr e a uivar como um desesperado por céus, ruas e campos descampados. Não sei atrás de quem — talvez do tempo. Diz-se que o vento e o tempo têm uma briga antiga, diziam os meus avós, ditados de outros tempos.

Preciso de escrever certas coisas que venho pensando e sentindo. A quem mais posso confessar-me senão a mim mesmo? Isso prova que, como toda a gente, tenho uma dupla personalidade: agora sou o que escreve e, depois, serei o que lê. Cada vez que reler, se for o caso, serei outro.

Pensando num dia de amanhã mais alegre.

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