Pablo Rodriguez apresentou a sua demissão do cargo de líder do Partido Liberal do Quebeque, afirmando sair “de cabeça erguida” e sem arrependimentos, na sequência de alegações de irregularidades durante a corrida à liderança que venceu em junho.
O antigo ministro federal anunciou a decisão na quinta-feira, numa breve declaração na sede do partido, em Montreal, justificando a saída com o facto de se ter tornado uma “distração” numa fase decisiva, a menos de um ano das eleições provinciais.
“Tomei esta decisão exclusivamente por sentido de dever para com o meu partido, que amo sinceramente, para com o Quebeque e para com o meu país”, declarou Rodriguez, sem aceitar perguntas dos jornalistas.
A demissão foi comunicada ao grupo parlamentar liberal na quarta-feira, após vários dias de crescente pressão interna. O partido atravessa um período de forte instabilidade há cerca de um mês, devido a alegações de compra de votos e de reembolso de donativos durante o processo de escolha do novo líder.
Rodriguez tem reiterado que nunca teve conhecimento de qualquer acto ilícito. “Sempre agi com autenticidade, integridade e ética”, afirmou, sublinhando que a prioridade deve agora ser a unidade do partido, sobretudo perante a proximidade das eleições e a promessa do soberanista Parti Québécois de realizar um terceiro referendo à independência até 2030.
“O Partido Liberal não pode iniciar um ano eleitoral dividido, especialmente num momento em que o futuro do Canadá está em jogo”, declarou.
O dirigente considerou ainda que o Partido Liberal do Quebeque continua a ser a principal alternativa ao governo da Coalition Avenir Québec e a melhor garantia para evitar um novo referendo. “Este partido é maior do que qualquer líder. Já ultrapassou crises no passado e voltará a fazê-lo”, afirmou.
O primeiro-ministro do Quebeque, François Legault, reagiu com uma curta declaração, afirmando respeitar a decisão e desejando a Rodriguez “tranquilidade”.
Por sua vez, o presidente do Partido Liberal do Quebeque, Rafael Primeau-Ferraro, anunciou que o conselho executivo irá reunir-se de emergência para nomear um líder interino, até à eleição de uma nova liderança.
Nas últimas semanas, Rodriguez tentou manter-se no cargo, apesar das acusações de que alguns membros do partido poderão ter recebido dinheiro em troca de votos. A situação agravou-se após a polícia anticorrupção do Quebeque ter anunciado a abertura de uma investigação criminal ao partido. O caso ganhou novo fôlego na terça-feira, quando o Le Journal de Montréal revelou que cerca de 20 doadores da campanha de Rodriguez terão recebido envelopes com 500 dólares em dinheiro, alegadamente para reembolsar os seus donativos, durante um evento de angariação de fundos realizado em abril. Rodriguez afirmou que, caso se prove que alguém cometeu um acto “inapropriado ou ilegal”, essa pessoa deverá assumir as respectivas consequências. Entretanto, o líder do Parti Québécois, Paul St-Pierre Plamondon, afirmou que o Partido Liberal enfrenta “um problema sério de cultura política e organizacional”, embora tenha salientado não existirem indícios de corrupção pessoal por parte de Rodriguez.
“As práticas ilegais agora reveladas não podem ser atribuídas a uma única pessoa; implicam a colaboração ou a cegueira voluntária de muitos”, afirmou, defendendo uma profunda reflexão interna no partido.
Pablo Rodriguez demite-se da liderança do Partido Liberal do Quebeque
