Magia «à espanhola» resolve encontro ligado à corrente
Rui Almeida Santos
@maisfutebol | Jornalista em Portugal
Arranque morno de jogo (a não condizer com o frio em Alverca) e as duas equipas à procura da melhor versão. Dois momentos de qualidade coletiva do FC Porto desbloquearam o encontro, com o primeiro de Sainz a ser anulado e o segundo a contar para o marcador.
O segundo tempo arrancou com a mesma energia e intensidade, assim como o mesmo resultado. Perante o sistema defensivo bem montado por Custódio, os dragões tiveram dificuldades para o penetrar, mas conseguiram fazê-lo graças a Alan Varela e ao «bis» de Sainz.
No rescaldo de um jogo muito difícil para João Pinheiro, o árbitro foi o centro das atenções nos minutos que antecederam o encontro e recebeu assobios dos adeptos de ambas as equipas. O apito inicial trouxe o foco para o que realmente importa e os primeiros minutos ficaram marcados por algum equilíbrio, ainda que os azuis e brancos tenham chegado com mais perigo ao território de André Gomes.
O guardião cedido por empréstimo do Benfica foi chamado a intervir logo aos três minutos, na sequência de um pontapé de meia distância de Martim Fernandes, uma das novidades no onze de Farioli.
Na sequência de um belo lance coletivo, Rodrigo Mora descobriu a entrada do camisola 17 do FC Porto e este cabeceou de forma certeira para o 1-0. Explosão de alegria no Ribatejo e os azuis e brancos a passarem para a frente do marcador, com alguma naturalidade.
Seguiu-se a melhor ocasião de golo do Alverca no primeiro tempo. Um cruzamento venenoso de Lincoln terminou na cabeça de Marezi e valeu Diogo Costa com duas intervenções sensacionais. Isto porque na recarga, Touaizi surgiu em excelente posição para finalizar e rematou contra o guardião português. Este momento serviu para dar algum ânimo à equipa da casa, que voltou a ter no avançado sérvio a principal arma no processo ofensivo.
A fraca rede, que dificultou o trabalho nas bancadas, não impediu que os jogadores se mantivessem ligados à corrente e o caminho para o intervalo fez-se a passos largos, com o FC Porto a ficar mais na expetativa e a deixar o adversário ter mais bola no seu meio-campo.
Para o segundo tempo, Farioli tirou Alberto Costa e lançou Francisco Moura, colocando assim um lateral esquerdo canhoto na posição, ao invés de Martim Fernandes, que passou para o lado direito da defesa. Os azuis e brancos entraram a todo o gás e por pouco não fizeram o segundo, com Samu a testar os reflexos de André Gomes.
Destaque para a entrada de ambas as equipas, a discutirem cada lance como se fosse o último e a não deixarem o jogo morrer em qualquer lance. Dez minutos após o reatar do jogo, mais um golo para o FC Porto. Num lance algo confuso dentro da área ribatejana, Alan Varela surgiu em ótima posição para rematar e fez, de pé esquerdo, o segundo dos visitantes. Pouco depois, nota para uma contrariedade para Farioli no encontro da próxima jornada, já que Sainz viu o quinto amarelo e falha a receção ao AVS. Já com algumas alterações realizadas, foi de um dos recém-entrados no encontro que o FC Porto quase chegou ao terceiro. William Gomes fez o que normalmente faz, puxou para o melhor pé e viu a bola desviar num defesa antes de bater na trave.
Ainda assim, o momento da noite estava reservado para os 68 minutos e da autoria de um repetente. Sem qualquer preparação, Borja Sainz rematou em arco e sem qualquer hipótese para André Gomes, que ficou colado à relva.
As últimas mexidas de ambos os treinadores não trouxeram nada de novo ao jogo e o FC Porto passa a noite com oito pontos de vantagem para o Sporting, na liderança (já ela isolada) da Liga.
