1ª LIGA: Benfica 1-0 Famalicão

Até ao Natal, um saltinho de pardal

Rui Almeida Santos
@maisfutebol | Jornalista em Portugal

Parafraseando muitas avós portuguesas, sempre atentas à meteorologia e ao calendário: ‘até ao Natal, um saltinho de pardal’. Os dias encurtam, a noite substitui o dia e o frio invernal instala-se. Quando damos por nós já estamos na consoada, no quentinho, junto da família.
Para os benfiquistas, a ceia de 24 de dezembro será um pouco mais tranquila (especialmente se esta envolver convivência com adeptos ‘rivais’) após uma vitória sobre o Famalicão, nesta segunda-feira, no último duelo do Benfica antes do Natal. Uma vitória que não teve voracidade de águia, mas mais de… pardal.
Um golo de Pavlidis, de grande penalidade, permitiu que os encarnados dessem um saltinho na tabela e igualassem em pontos o Sporting (35), ainda em terceiro lugar, ficando à espera de um deslize dos leões na fria cidade de Guimarães, um dia depois. Ainda que com o cinto apertado, o Benfica cumpriu a missão dos três pontos sem exageros natalícios.

Mourinho continuou aposta em Sudakov e Prestianni no onze
Após uma vitória sobre o Farense, por 2-0, assegurando a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal, José Mourinho fez regressar alguns dos elementos mais utilizados no onze inicial, num jogo que exigia máxima «concentração», como avisou o técnico na véspera.
Trubin rendeu Samuel Soares, que sofreu um problema muscular contra os algarvios e nem sequer ficou no banco de suplentes neste jogo; Pavlidis, Enzo, Dedic e Aursnes regressaram ao onze inicial. Sudakov manteve-se, apesar de ter saído lesionado do último encontro. Já Leandro Barreiro nem no banco de suplentes ficou, apesar de Mourinho ter-se mostrado positivo quanto à sua recuperação na antevisão à partida.
Já Hugo Oliveira, treinador do Famalicão, apostou num onze inicial que pode ser descrito como de ‘máxima força’. Numa fase complicada do calendário, a equipa minhota visitava a Luz após uma goleada sofrida na casa do FC Porto (4-1), para a Taça de Portugal. Porém, pelo menos no campeonato, a formação famalicense ainda não tinha perdido fora. Podia agarrar-se a essa façanha e pôr a faca nos dentes.

Famalicão personalizado pôs Benfica em sentido
Numa noite fria e com um estádio que parecia a meio-gás, mas que foi enchendo até aos 57 mil, o Benfica teve alguma dificuldade em superiorizar-se ao Famalicão. A equipa minhota apresentou-se sem medo de jogar pelo chão, construindo desde o guarda-redes e com uma posse esclarecida. Quando se acercava da grande área benfiquista, não entrava em delírios – esperava pela melhor abertura. Em certos momentos, talvez tenham tido paciência a mais.
Com formações parecidas – 4-2-3-1 com bola e 4-4-2 sem bola -, as duas equipas anularam-se durante a maioria da primeira parte. Algo que interessava particularmente ao Famalicão. Aursnes servia mais para travar Van de Looi do que para atacar. E, em certa medida, podemos dizer o mesmo de Gustavo Sá em relação a Enzo. Isso resultou em poucas chances claras de golo.
Ainda assim, podemos enumerar defesas apertadas de Carevic a remates de Sudakov (12m) e Dahl (25m). Trubin não teve trabalho, mas também deve agradecer a Tomás Araújo por isso. Sempre que Zabiri tinha hipótese de ganhar as costas da defesa encarnada, o defesa português usava da sua velocidade para cortar o perigo.
O Benfica viria a chegar à frente do marcador numa grande penalidade. Num lance que fez recordar as recentes polémicas de arbitragem no futebol português, Otamendi foi atingido pelo braço direito de Justin De Haas durante um livre indireto e ficou caído. Avisado pelo VAR, André Narciso reviu as imagens e assinalou grande penalidade. O neerlandês viu amarelo. Na conversão, Pavlidis não deu hipótese e marcou o seu sétimo penálti no campeonato.

Segunda parte de gestão benfiquista e incapacidade famalicense
O resto da primeira parte foi um exercício de gestão. Do lado do Benfica, gestão da bola; do Famalicão, gestão de danos, para não ir para o intervalo a perder por 2-0. A segunda parte começou de forma semelhante, sem alterações por parte dos dois treinadores. No entanto, Mourinho viu-se forçado a retirar Tomás Araújo, até então a fazer um bom jogo, por lesão muscular. António Silva saltou lá para dentro.
O marroquino Zabiri ainda ameaçou de longe, mas a jogada de maior entusiasmo na segunda parte aconteceu só aos 65 minutos. Prestianni recuperou em zona alta, entregou o golo de bandeja a Aursnes, mas o norueguês falhou clamorosamente (talvez não habituado a estas andanças).
Foram precisos outros doze minutos para as bancadas se entusiasmarem de novo. Sudakov aplicou um túnel no meio-campo, Enzo abriu para a direita, onde estava Prestianni, e o pequeno fez nova ‘cueca’. Encheu-se de fé, mas o remate foi defendido por Carevic. Alguma nota artística, por fim.
Mesmo a custo, o Benfica entregou aos adeptos um presente – uma vitória que permite à equipa continuar a boa saga de resultados. Não sofre golos há quatro jogos consecutivos e não perde há nove. Já o Famalicão vê quebrado o impressionante registo forasteiro e perde pela primeira vez como visitante no campeonato. Mas cai de pé.

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