“Traição” de Lacximicant quebra maldição
Rui Almeida Santos
@maisfutebol | Jornalista em Portugal
Para colocar um ponto final num período profundamente negativo que vivia na Liga, o Estoril, que não ganhava há quatro jogos e vinha de uma goleada sofrida em Famalicão, teve de enfrentar a história perante um Sp. Braga a viver a melhor fase da temporada. Os Canarinhos precisaram de quebrar um jejum de dez anos sem vencer os arsenalistas e de nove sem lhes conseguir marcar um golo no seu estádio. A “maldição” foi quebrada pela “traição” de Lacximicant.
O regresso de Rafik Guitane à equipa do Estoril, depois de ter jogado a Taça Árabe pela Argélia, deu-se no reencontro com o Sp. Braga, onde o seu talento não vingou. Com ele, Ian Cathro devolveu o 4-3-3 aos estorilistas, o mesmo que tinha deixado à nora o FC Porto, no Dragão.
Modelos à parte, Estoril e Sp. Braga são duas equipas que gostam de ter a bola na sua posse, e até abdicaram de um homem de área no onze inicial para tentarem potenciar ao máximo o jogo associativo que procuraram impor.
O Sp. Braga, com o capitão Ricardo Horta no banco, fê-lo com maior perigo nos primeiros instantes e podia ter marcado logo ao minuto 4 por Pau Víctor, o tal “falso 9”, mas Robles opôs-se com uma defesa corajosa.
Na primeira parte, o guarda-redes do Estoril oscilou entre saídas bizarras da baliza e defesas milagrosas, como quando, ao minuto 27, negou o golo a João Moutinho, de cabeça (!), na sequência de um canto. Pelo meio, Begraoui deixou o primeiro aviso do Estoril no ataque (17m), mas era o Sp. Braga quem se precipitava com maior perigo no meio-campo contrário, pese embora os muitos passes errados de parte a parte. A vontade constante de construir com critério por vezes dá nisto. Com Víctor Gómez a ter liberdade total de movimentos, surgindo muitas vezes na zona central do ataque, os arsenalistas iam ludibriando a defesa contrária, mas faltava-lhes eficácia na finalização. Voltou a acontecer aos 39 minutos, quando o ala direito espanhol cruzou para Gabri Martínez cabecear, solto na pequena-área, por cima da baliza adversária.
E como quem não marca se arrisca a sofrer, o Estoril fez os arsenalistas lamentarem tanto desperdício perto do intervalo, quando o ex-Sp. Braga, André Lacximicant, lançado em profundidade por Pedro Amaral, inaugurou o marcador. O avançado ainda ensaiou um pedido de desculpas nos festejos, mas a “lei do ex” é implacável.
A segunda parte abriu com uma ocasião flagrante do Sp. Braga, que Holsgrove limpou em cima da linha de golo, e a resposta do Estoril, num remate cruzado de Begraoui (49m). A ameaça do avançado marroquino subiu de nível aos 54 minutos, quando surgiu na cara de Hornicek, mas perdeu o duelo com o guarda-redes arsenalista.
O jogo dos bancos não demorou, com Carlos Vicens a lançar o capitão Horta na hora do aperto e Ian Cathro a responder colocando Ferro no lugar de Guitane.
Continuavam a faltar, no entanto, referências no eixo ofensivo dos bracarenses, e era o Estoril quem se mostrava mais perigoso no ataque, que só não ampliou a vantagem aos 63 minutos porque Hornicek negou, com a cara, o bis ao isolado André Lacximicant. O guarda-redes checo voltou a brilhar perante Begraoui, num par de ocasiões, o recém-entrado Fabrício, que arrancou destemido desde o seu meio-campo até rematar para mais uma defesa apertada, e Lominadze, num remate de fora da área. Por seu lado, o Sp. Braga só nos últimos instantes ameaçou verdadeiramente o empate, já depois de Fran Navarro ter ido a jogo. O avançado espanhol ainda vislumbrou o 1-1 ao minuto 88, mas o cruzamento saiu atrasado e assim se esfumou a derradeira ocasião arsenalista no encontro.
O triunfo permite ao Estoril chegar aos 17 pontos e respirar um pouco melhor na tabela classificativa, enquanto os bracarenses falham a fuga, ainda que provisória, ao vizinho Gil Vicente, no quarto lugar.
