Um pontinho no sapatinho
Foi uma primeira parte mais disputada do que propriamente bem jogada, aquela que se assistiu neste domingo no Estádio de São Miguel. A primeira metade do jogo, que opôs o Santa Clara e o Arouca foi passada, praticamente, no meio-campo, com ambas as equipas a tentar lutar pela posse, mas sem criar grandes situações de perigo junto das balizas adversárias.
O Santa Clara, que vinha da eliminação da Taça de Portugal, foi obrigado a mexer na equipa já que, contra o Sporting, alguns jogadores titulares (PV, Frederico Venâncio e Lucas Soares) viram o cartão vermelho e por isso estavam indisponíveis para o jogo de hoje.
Até aos 25 minutos de jogo, o Santa Clara teve muito mais posse de bola, tentado chegar à área contrária com critério, mas sem o conseguir. O Arouca defendia bem e tapava os caminhos da sua baliza. A partir dos 25 minutos, o Arouca tentou também ter bola e começou a tentar chegar à área encarnada.
Foi em contra-ataque que o Santa Clara dispôs da sua melhor ocasião para inaugurar o marcador. Brenner apareceu com velocidade pela direita, solicitou Wendel que amorteceu a bola para um bom remate de Serginho, embora em a direção que este desejava, quando faltavam jogar 10 minutos no primeiro tempo.
O Arouca sentiu o remate e tentou devolver o golpe em duas ocasiões. Primeiro, aos 41 minutos, através de um remate de muito longe, que o capitão encarnado encaixou com muita tranquilidade. Depois, aos 45+2, surge a melhor chance da primeira parte. Apôs canto batido da esquerda, a defesa açoriana alivia a bola para Nandín, que não se fez rogado e disparou forte, de pé direito, para uma grande intervenção de Gabriel Baptista. Assim sendo, o encontro seguiu empatado a zeros para o intervalo.
Na segunda parte o Santa Clara entrou decidido a rematar e no espaço de cinco minutos chegou por três vezes à baliza arouquense. Primeiro tentou uma bola longa, que foi cortada pela defesa já dentro da área adversaria. Gabriel Silva de seguida tentou a sua sorte, com a bola a sair ligeiramente ao lado e Adriano Firmino, dois minutos depois, tentou a sorte de fora da área e Mantl respondeu com uma defesa segura.
O que parecia ser uma segunda parte entretida, foi sol de pouca dura. O jogo arrastou-se de novo para o meio campo, com as equipas a travar muitos duelos, mas sem esclarecimento suficiente para tentar alterar a marcha do marcador.
Apenas depois dos 80 minutos, voltaram a ver-se situações de perigo. Aos 83 minutos, ainda que em posição irregular, Gabriel Silva tentou um remate em arco que foi bem defendido pelo guardião do Arouca. Um minuto depois, e na sequência de um canto, Mantl foi chamado a intervir e, novamente, disse presente de forma segura. Um minuto depois surge a melhor jogada do Santa Clara. Jogada pela esquerda com um cruzamento feito com conta, peso e metida para Brenner inaugurar o marcador. Contudo Sola tirou-lhe o pão da boca e cedeu canto. Do canto, Sidney Lima poderia ter dado os três pontos aos encarnados de Ponta Delgada, mas viu o seu cabeceamento sair ao lado. O Arouca deu um ar da sua graça aos 90+4 e poderia ter levado os três pontos de São Miguel. Gozalbez combina com Lee, com o primeiro a atirar muito perto do poste, deixando os adeptos presentes no estádio em estado de alerta. Foi o cantar do cisne num jogo que não aqueceu os adeptos nesta noite fria de Inverno em São Miguel.
A Figura: Gabriel Silva. Foi o único que tentou mexer com o jogo, embora sem sucesso. Quer em profundidade, quer com bola no pé, foi sempre dos mais esclarecidos e dos poucos, que tentou lutar contra o marasmo do jogo. Saiu esgotado, após mais uma boa tentativa de inaugurar o marcador
O Momento: remate de Lee, 90+4. Lee poderia ter dado os três pontos ao Arouca se tivesse acertado na baliza, na sequência de uma combinação com Gozálbez.
Negativo: a falta de remates. Num jogo muito preso e com mais transpiração que inspiração, faltaram balizas ao jogo de Santa Clara e Arouca.
