Taça de Portugal: Caldas 0-3 Sp. Braga

Deslocados só caíram de bola parada

Ricardo Gouveia
@maisfutebol | Jornalista em Portugal

O Sp. Braga foi a Torres Vedras bater os deslocados do Caldas por 3-0, em jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal que ficou marcado pela polémica mudança de campo imposta pela Federação Portuguesa de Futebol. O relvado do Estádio Manuel Marques também não estava nas melhores condições, mas os adeptos da equipa da casa, apesar da diferença de trinta quilómetros, trouxeram a alma do histórico Campo da Mata para um jogo em que se viveu o verdadeiro espírito da prova rainha.
Com uma grande festa nas bem preenchidas bancadas do campo do Torreense, o Caldas entrou no jogo com garra e, ao longo da primeira parte, colocou muitas dificuldades aos minhotos de Carlos Vicens que só conseguiram reagir na segunda parte, com três golos de rajada em dez minutos que acabaram por resolver a eliminatória.
Os jogadores do Caldas anunciaram, antes do jogo, que iam jogar sob protesto e materializaram esse protesto com um abraço conjunto junto a círculo central, que incluiu toda a equipa, incluindo o guarda-redes, o que deixou Ricardo Horta, que ia dar o pontapé de saída, confuso. Uma rápida explicação do capitão do Caldas, Diogo Clemente, esclareceu o estranho posicionamento e o jogo começou com o guarda-redes do Caldas a correr para a baliza.
A verdade é que o Caldas, embalado com o som de uma banda filarmónica, presente nas bancadas, entrou no jogo ao ataque, com a equipa a posicionar-se num bloco alto e condicionar, desde logo, a saída do Sp. Braga. Não foi preciso esperar muitos minutos para confirmar o que os adeptos do Caldas já andavam a dizer. O relvado do Torreense não estava muito melhor do que o do histórico Campo da Mota. O Caldas, para todos os efeitos, estava a jogar em casa e isso era mais do que evidente, não só pelo número de adeptos que preencheram três das quatro bancadas, como da forma como estes viveram o jogo.
Cada bola conquistada pelo Caldas era como se fosse um golo, cada transição era acompanhada de pé, como se fosse dar golo. Com jogadores muito técnicos, habituados a relvados difíceis, o Caldas entrou definitivamente melhor no jogo, com muito sangue na guelra, face a um Sp. Braga que perdia facilmente a bola, muitas vezes por culpa própria, com passes mal medidos. As primeiras oportunidades foram mesmo para a equipa da casa, com a conquista de quatro cantos na primeira meia-hora, com destaque para os remates de Gonçalo Barreiras de fora da área que quase surpreenderam Tiago Sá.
A equipa de Carlos Vicens andou aos papéis, mas foi conseguindo assentar o seu jogo, mas só conseguiu criar perigo já perto do intervalo, numa série de lances de bola parada que serviram de pretexto para os adeptos do Caladas voltarem a festejar, cada vez que a equipa conseguia afastar a bola da sua área.
Em resumo, uma primeira parte bem animada, com o Caldas a entrar muito bem no jogo e a colocar muitos problemas ao conjunto de Carlos Vicens, mas a segunda parte seria bem diferente.

Três golos em dez minutos e está resolvido
Logo a abrir o segundo tempo, Edu Monteiro ainda deu um ar da sua graça, com uma impressionante arrancada pela esquerda, mas o Sp. Braga não permitiu mais ousadias e resolveu a eliminatória nos dez minutos seguintes, com três golos de rajada os dois primeiros a surgirem de pontapés de canto marcados por Ricardo Horta. O primeiro da esquerda, para Fran Navarro marcar de cabeça. O segundo, três minutos depois, da direita, para Paulo Oliveira marcar também de cabeça. O Caldas perdeu o norte e o Sp. Braga voltou a marcar, agora de bola corrida, com Ricardo Horta a servir Dorgeles que rematou colocado, com a bola a pedir licença ao poste antes de entrar.
Em apenas dez minutos, o Sp. Braga resolvia uma eliminatória que chegou a parecer mais complicada. Seguiram-se as danças dos bancos, com os treinadores a adaptarem os respetivos conjuntos ao resultado, mas a festa prosseguiu intensa nas bancadas.
O Sp. Braga acabou por entrar em modo gestão e, com uma crescente posse de bola, acabou por fechar a qualificação para os quartos de final onde irá defrontar o vencedor do duelo entre o Lusitano de Évora e o Fafe que está marcado para 27 de dezembro.

Figura do jogo: Ricardo Horta na origem dos três golos
Foi preciso o capitão puxar dos galões para o Sp. Braga seguir em frente na Taça. Os dois primeiros golos resultam de dois pontapés de canto muito bem marcados pelo capitão do Sp. Braga e o terceiro também resulta de uma assistência do número 21 dos minhotos que, desta forma, volta a reafirmar a sua candidatura a estar entre os eleitos de Roberto Martinez no próximo verão.

Momento do jogo: remate colocado de Dorgeles
Foi o melhor golo da noite e o que sela definitivamente a qualificação do Sp. Braga. Um remate colocado de Dorgeles, com a bola a entrar bem junto ao poste, batendo mesmo antes do Ferro antes de entrar.

Positivo: adeptos trouxeram a alma do Campo da Mata
O Caldas foi obrigado a jogar fora de casa, ainda por cima num campo de um dos maiores rivais da região, o Torreense, mas a verdade é que os adeptos trouxeram o espírito do Campo da Mata até ao Estádio Manuel Marques e a equipa sentiu-se, com certeza, a jogar em casa. Nem a banda faltou. Grande ambiente.

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