Mais uma andorinha, “La Maison de l’amitié”

Olá Andorinhas livres, ando, por estes dias, tal como os leitores deste rico jornal, a decorar e a preparar tudo para o Natal, para a família e para os amigos. Estou, como muitos de vocês, a querer oferecer um pequeno pensamento positivo às pessoas que me marcaram de forma inspiradora ao longo deste ano. Gosto de dizer “sim” a momentos com esta gente, a convites interessantes e a aventuras cheias de amor.
Mas, recentemente, para ter tempo e energia para as atividades verdadeiramente importantes da minha vida, estou a aprender, outra vez, a dizer “não”. Assim, fico com mais força e vontade para o que é mais importante para mim e para os meus.
Foi com o tempo e com muita paciência que aprendi esta lição, cometendo um erro aqui e outro ali. Afinal, o importante é sempre tentar fazer melhor da próxima vez.
Esta semana, escrevo sobre a Maison de l’Amitié, situada na rua Duluth, que celebra o seu 50º aniversário nesta localização, em pleno coração do “Petit Portugal” .
Conheço uma senhora que lá trabalha como diretora, e ela explicou-me que, nos anos 60, a Maison de l’Amitié oferecia atendimento infantil gratuito às mães do bairro, para que pudessem ir trabalhar. Passo sempre por lá quando vou ao Chouriçor comprar a minha mercearia. Também por lá passei, quando em dias muito quentes de julho, fui ao Café Centrale comprar um Sumol de ananás. Aprecio imenso aquele sentimento de curiosidade- “Quem será esta pessoa?”-no olhar do pessoal daquele café tão conhecido, quando alguém entra. Também tive, há muitos anos, um namorado do Continente, morador na rua Coloniale, que me partiu o coração e deixou um sabor muito amargo na minha adolescência.
Agora, estou a descobrir outras partes desse mesmo bairro: recantos lindos e histórias que não conhecia, acompanhada por um canadiano de olhos azuis, que insiste em convencer-me que tem 1% de sangue português.
Não acredito! Aprendi mais uma coisa bonita com esta pessoa sobre o “Petit Portugal” e achei interessante celebrar a Maison de l’Amitié e a Dora Goulet, que dirige aquele espaço onde hoje há aulas de línguas, atividades familiares e mais uma aventura maravilhosa, como as Andorinhas livres que por ali passam.
Resumo: Como um sonho lúcido, Crónica de uma Cidade explora a relação única, íntima e misteriosa que temos com o nosso mundo urbanizado, através do lugar e do significado que cada um de nós tenta encontrar nele.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *