É já hoje indubitável que a democracia está em franca degenerescência em Portugal. Aliás, esta degenerescência está a ter lugar por todo o lado do mundo. Uma realidade que se deve, no mínimo, a dois fatores principais: a grande comunicação social, que sobrevive (e mesmo assim mal…) do fantástico noticioso, e o cabalíssimo falhanço de quanto se vai prometendo, tudo se saldando numa ínfima minoria de bilionários e noutra enorme mancha universal de pobreza.
Não custa compreender que uma eleição presidencial requer que os candidatos exponham a sua completa independência em face de grupos de interesses, individuais ou coletivos, o que terá sempre de implicar uma análise aberta ao seu passado de vida profissional. Até mesmo de simples amizades.
Esta doutrina, enquanto domínio, é sempre defendida por todos, mas tudo muda logo de figura quando cada um tem de expor esse tal seu passado profissional, a fim de oferecer aos eleitores uma base segura de decisão. Tudo passa logo a ser um problema, com a tal doutrina a deliquescer-se, alternando com estados furiosos e fortemente nervosos. Um problema…
Infelizmente, Luís Marques Mendes deitou-se a assumir uma posição moralizadora nos seus comentários com muitos anos de duração. Há, todavia, uma realidade inultrapassável: hoje, os interessados nesta eleição presidencial, sabem que Luís Marques Mendes – foi-nos exposto por ele mesmo – trabalhou num qualquer escritório de advogados. Simplesmente, Luís Marques Mendes continua a não dizer o tipo de trabalho exercido, nem as entidades, individuais ou coletivas, para quem trabalhou. Bom, pode continuar a proceder deste modo, mas a verdade é que os eleitores vão sempre olhar esta limitação com um pé atrás…
Diferente é o caso, ora surgido, sobre o Almirante Henrique Gouveia e Melo. Ele, de facto, não tem nada para esclarecer. Quem poderá ter de nos explicar o seu ponto de vista são as autoridades judiciais competentes, que são quem poderá estar a conduzir as tais investigações que decorrem desde 2017, ou 2018, a fazer fé nas recentes palavras do almirante.
Como facilmente se percebe, trata-se de duas situações antagónicas: no primeiro caso, existe uma realidade concreta e confessa, mas não explicada a menos de um mínimo de dúvida; no segundo, existe uma notícia, provavelmente baseada em alguns dados concretos, mas que nada indica de material, sendo que o almirante não é suspeito de nada, muito menos acusado do que quer que seja.
Em síntese: quem tem de materializar o que está em jogo consigo, no passado, é Luís Marques Mendes, porque no caso do Almirante Henrique Gouveia e Melo quem tem de esclarecer o que quer que possa parecer ser uma realidade são as autoridades competentes. Sabe o quer lhe digo, caro leitor?
É que temos a democracia…!
Por fim, uma notinha importante, sobretudo para o leitor poder de mim aquilatar: o meu voto irá para António José Seguro, sem o qual, como Presidente da República, teremos, finalmente, o fim dos frutos também trazidos pela Revolução de 25 de Abril.
Transparência: é o Supremo, Mas Quando Surge, Bom, é um Problema…
