Amizade, Saúde Emocional e a Arte de Continuar

Então, esta semana estou a celebrar o aniversário da minha filha de quinze anos. Ela nasceu no dia 31 de janeiro de 2011, e foi um prazer celebrar a sua vida com familiares e com a sua amiguinha Ruby, num restaurante da Petite Italie. Adoro ver as duas meninas a rir e a trocar segredos que, muitas vezes, não tenho o privilégio de partilhar.
Ser mãe de uma adolescente significa que, aos olhos da minha filha, eu não sei nada e, infelizmente, percebo ainda menos de como funciona este mundo. Lembro-me muito bem de ter tido os mesmos sentimentos em relação à minha mãe, quando tinha quinze anos…
O tempo passa, a vida continua, e aprendi que a vida nos conduz ao encontro do nosso destino e que as mães deste mundo tinham razão — e sabiam muito. Nesta crónica, vou falar do amor entre amigas. A amizade entre mulheres é algo que não se pode negar.
O New York Times publicou um artigo que descreve aquilo que nos ajuda a ser felizes. Nele, médicos, terapeutas e cientistas enumeram várias atividades e hábitos que, no dia a dia, contribuem para a nossa saúde mental e física. A Dra. Julianne Holt-Lunstad, professora de Psicologia e Neurociência na Universidade Brigham Young, afirmou:
“Construa um círculo social amplo, cuide uns dos outros e cultive ligações de alta qualidade. Se alguma destas coisas estiver ausente, há fortes indícios de riscos para a saúde física e de mortalidade prematura.”
Lembro-me de várias vezes em que passei por momentos difíceis, mas que, com o apoio das minhas amigas, consegui ultrapassar todo o mal que, por vezes, nos faz chorar, sentir tristeza e enfrentar dificuldades.
Outras vezes, estou a lavar a loiça, lembro-me de uma piada que uma colega me contou e rio-me sozinha, entre copos sujos e a limpeza dos restos da ceia.
Lavar loiça e roupa não é das coisas mais interessantes da vida, mas traz-me paz ver uma casa limpa e o movimento de preparar o lar para mais um dia com adolescentes e amiguinhos que entram e saem a todo o momento. As lembranças das minhas conversas com amigas, os olhares cheios de sarcasmo e um pequeno regalo aqui e ali são o que tornam o trabalho e a vida, certamente, mais positivos.
Noutros momentos, há paz na ausência de um sentimento feliz — perceber que é preciso passar pelo desconforto para alcançar a serenidade. A minha terapeuta preferida, Esther Perel, disse nesse mesmo artigo do New York Times:
“Alguns problemas de relacionamento são paradoxos que não podem ser resolvidos. Apenas podem ser administrados. Questões complexas exigem que lidemos, ao mesmo tempo, com sentimentos, necessidades e lealdades contraditórias. Soluções simples geralmente não existem.”
Não posso dizer mais para explicar que, na realidade, a solução não é tão simples como lavar um copo e ficar tudo bem. É preciso viver as dificuldades para, por vezes, chegar a uma melhor forma de ser. As amizades, românticas ou não, quando terminam, nem sempre são fáceis de aceitar. Sentir amor num dia e encontrar um coração frio no outro não se cura de um dia para o outro. Às vezes, não há forma de esquecer o desgosto que vive dentro de nós.
Passei pela experiência de ter familiares que não gostavam de mim e, até hoje, arrependo-me do tempo que perdi no passado a tentar mudar essa situação.
Essa experiência antiga vive agora dentro de mim como uma cicatriz num lugar que não consigo esquecer. Na realidade, como explica Esther Perel, a solução não é simples. Para concluir, percebi — talvez tarde demais — que eu também não gostava desses mesmos familiares, que, felizmente, já não fazem parte da minha vida.
Às vezes, a solução é aceitar que somos todos diferentes. Foi bom chegar a essa conclusão, mas o processo foi difícil e demasiado longo.
Volto, por vezes, a reviver essa emoção amarga para melhor apreciar as relações mais saudáveis e positivas que tenho no presente. Por isso, vou continuar a falar-vos de mulheres portuguesas aqui em Montreal e na diáspora portuguesa, para continuar a inspirar vocês, leitores, com palavras de arte e cultura, de amores e aventuras desta nossa cidade.
A minha filha Clara e a sua amiga Rubee estão agora a viver a sorte de se descobrirem através da amizade. Acredito que é certo e importante viver o amor das amizades preciosas. A Hanorah, cantora de Montreal, vai dar um espetáculo no dia 12 de fevereiro, no La Verre Bouteille, e eu estarei, com certeza, presente entre amigas para celebrar a sua arte musical e as nossas amizades.
Ela é uma artista que fala sobre o amor, o prazer e o desgosto de estarmos bem, mas sozinhos. Canta também sobre o fim de uma relação romântica. Tem uma canção chamada Heavenly One, onde fala do prazer e da simplicidade encontrados na liberdade de estar só. Já vi esta cantora na Casa del Popolo e adorei a sua presença em palco. Ela canta ainda sobre a tristeza de viver uma realidade presente que nem sempre é positiva, sempre envolta em jazz e blues, e com um talento singular.

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