IMPARÁVELO: Que Irá Conseguir Leão XIV Com Os Abusos Na Igreja?


A revista SÁBADO, creio que na sua edição mais recente, mostra, logo na sua capa, a expressão de que a “Igreja atrasa pagamentos às vítimas de abuso sexual”. Não me causou estranheza, antes de pronto acreditei no respetivo conteúdo, com que não cheguei a ter um qualquer contacto.
Recordo bem as primeiras palavras de três bispos, em certa conferência de imprensa, onde nos foi garantido que seria colocada uma placa, junto da sede da Conferência Episcopal, alusiva aos casos de abusos por parte de padres católicos. A verdade é que nunca mais encontrei uma só notícia sobre a inauguração da respetiva placa. De resto, logo escrevi que essa placa deveria ser colocada num lugar público, naturalmente próximo daquela estrutura da Igreja Católica Portuguesa. Portanto, esta pergunta: que é feito da tal placa?!
A verdade é que a História não para, acompanhando o desenrolar do tempo. Assim, também sem estranheza, tomei há dias conhecimento de que um grupo de ex-alunos da rede de escolas católicas lassalistas, em França, se juntou para denunciar a violência, incluindo abusos sexuais, cometida há décadas por membros daquela congregação. Bom, também não estranhei.
Deparei-me, de imediato, com uma grande diferença em face do caso português: a congregação religiosa católica Irmãos das Escolas Cristãs, fundada por São João Batista de La Salle, no final do Século XVII, garantiu já que está a levar estas acusações muito a sério, tendo sido já indemnizadas 70 vítimas. Como se pode ver, um ligeiro abismo entre as duas realidades, a portuguesa e a francesa.
Neste caso de França, os crimes foram cometidos entre 1955 e 1985 em cerca de 20 escolas pertencentes aos Irmãos das Escolas Cristãs. Tais crimes incluíram atos de violência física, bullying, humilhações, e, num grande número de casos, toques inapropriados, agressões sexuais e violações, cometidos por religiosos ou professores leigos, a maioria dos quais já falecidos.
O grupo de antigos alunos exige agora que a congregação reconheça a sua responsabilidade pela violência sistémica praticada, com a criação de um fundo de reparação de 100 milhões de euros, ao mesmo tempo que emitiu um apelo a fim de se recolherem testemunhos.
Estas revelações surgem numa altura em que França ainda está a recuperar de um escândalo que envolve abusos físicos e sexuais de menores em Notre-Dame de Bétharram, no sudoeste do país, onde quase 250 queixas foram apresentadas por ex-alunos, acusando padres e leigos de atos cometidos entre o final da década de 1950 e o início da década de 2000.
Depois da extrema boa vontade e determinação mostradas sobre o tema por parte de Francisco, a minha dúvida centra-se ao redor do que irá fazer, neste domínio, o Papa Leão XIV. Para já, espero que trate de modo rápido, linear, os casos ora vindos a público, alguns já a serem tratados nos países onde tiveram lugar. Como irá atuar, nos domínios da eficácia e da justiça, o Papa Leão XIV? Sim, porque ninguém vai esquecer o caminho adotado por Francisco…

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