Na Associação Portuguesa do Canadá (APC), assinalaram-se os 70 anos de existência da mais antiga coletividade portuguesa do Canadá com uma tarde inteiramente dedicada à cultura, às artes e à história.
No domingo, 15 de março, o espaço transformou-se numa vibrante viagem pela alma portuguesa — um encontro harmonioso entre literatura, tradição e a arte de moldar o barro. O evento, organizado por Joaquina Pires, destacou-se pela qualidade e sensibilidade da sua programação.
A exposição Expressões da Arte e da Criatividade Barcelense trouxe cor, autenticidade e simbolismo ao evento. Entre as várias peças, destacou-se um galo esguio, quase irreverente na sua forma, mas de elegante presença — obra dos irmãos Baraça — que captou de forma singular o espírito do emblemático Galo de Barcelos.

A leitura dramática Ana e Camilo: Uma História Portuguesa foi um dos pontos altos da tarde. Com texto da comediante Isabel dos Santos, que assumiu também a narração, a peça revisitou com sensibilidade o amor proibido entre Ana Plácido — mulher culta, audaz e à frente do seu tempo — e Camilo Castelo Branco, génio do romantismo e autor de Amor de Perdição. Uma história marcada por escândalo, prisão e uma profunda cumplicidade literária. Em palco, Marta Raposo brilhou na interpretação de Ana Plácido, num desempenho intenso e comovente, envergando um vestido criado e confecionado por Cândida Cordeiro.
Seguiu-se uma sentida e merecida homenagem a Maria Barroso, protagonizada por várias mulheres da comunidade, que deram voz aos seus poemas numa recitação coletiva carregada de emoção, ecoando liberdade, consciência e coragem. A chef Helena Loureiro apresentou uma breve biografia desta figura maior da cultura portuguesa. A dimensão musical da tarde ficou a cargo de José Brites, acrescentando profundidade e sensibilidade ao momento.
Para encerrar, foi servido um cálice de Vinho do Porto Ferreira, num brinde simbólico às grandes mulheres visionárias de Portugal — unindo, numa só celebração, vinho, história e identidade.
