BIFE DA PÁSCOA EM LAVAL: TRADIÇÃO, EMOÇÃO E UM MOMENTO QUE PAROU TUDO!

Fotos de Micheal Ribeiro Estrela

Laval vestiu-se de Portugal, e não foi de qualquer maneira. O Bife da Páscoa 2026, realizado na Igreja Nossa Senhora de Fátima, transformou-se no verdadeiro epicentro da cultura portuguesa além-fronteiras…
Mais do que um evento, foi uma afirmação identitária, um grito coletivo de pertença e orgulho, aquela “chieira” minhota que não se explica, sente-se.


No coração desta celebração esteve o palmito, símbolo carregado de história e significado. Tradicionalmente associado à época Pascal, representa a inocência e a pureza, sendo colocado nas mãos de crianças ou moças virgens. Mas a sua simbologia vai mais longe: na tradição cristã, a palma é também emblema de martírio e devoção.
Produzido artesanalmente com lâminas de metal, papel colorido e delicados arames, cada palmito é uma obra de arte. Uma herança passada de geração em geração, pelas mãos experientes de artesãs que mantêm viva esta tradição secular. Em Laval, estes elementos não foram apenas exibidos, foram celebrados.


As mordomas, com os seus trajes deslumbrantes, ergueram os palmitos com orgulho, muitas vezes envolvidos em lenços de amor bordados. Representaram Viana do Castelo com uma autenticidade arrebatadora, trazendo o Minho inteiro até ao Canadá.
A acompanhar o palmito, destacou-se a icónica vela votiva de Santa Marta de Portuzelo, adornada com flores de papel. Um símbolo de pureza mas também protagonista de histórias que fazem rir. Diz a tradição que, se a chama se apagasse no momento da consagração, colocaria em causa a virtude da jovem que a segurava. O nervosismo era inevitável. E, como manda o imaginário popular, não faltavam namorados travessos que, discretamente, sopravam para provocar “incidentes”… criando momentos dignos de uma verdadeira novela minhota.
Este ano, porém, houve algo mais.
Era 25 de Abril.
De repente, pediu-se silêncio. Um silêncio raro, pesado de significado. E então, apenas o som das socas a bater no chão ecoava … firme, ritmado, quase solene. Até que, sem aviso, ergueu-se uma voz! Depois outra… E outra…
“Grândola, vila morena…”
Cantada à capela, sem ensaio, sem palco, apenas alma.
Foi um daqueles momentos que não se planeiam.
Que acontecem.
Que ficam.
Um instante coletivo de memória e liberdade que arrepiou todos os presentes. Um momento que, sem dúvida, merece ser repetido mas que jamais será igual.
O evento trouxe ainda inovação: uma apresentação inspirada nas grandes festas minhotas, com um ambiente vibrante, cores, música e alegria contagiante. A comunidade respondeu em força… continentais, açorianos, madeirenses, todos unidos sob a mesma bandeira emocional.
Portugal esteve ali… Todo.
E claro, não faltou o lado mais… competitivo. Foi coroado o “Maior Comilão” da noite impressionantes 15 bifes consumidos, um recorde que já promete rivalidades épicas para 2027.
A animação esteve a cargo de Tiago Neto e Paulo Fragoso, que garantiram que ninguém ficasse parado. Entre concertinas, gargalhadas e brindes, viveu-se tudo à boa moda portuguesa.
Porque no fim, é isso que fica:
A tradição.
A comunidade.
E aquele orgulho impossível de esconder.
Laval não foi apenas palco.
Foi Portugal.