Prova de Vinhos de Portugal em Montréal: Vinho, Memória e Identidade


Portugal continua a ser um país de vinho. Mais do que uma bebida, o vinho faz parte da nossa cultura, da nossa mesa e da nossa história.
Mas os tempos mudaram. O consumo abranda, os hábitos transformam-se e as novas gerações procuram cada vez mais bebidas rápidas, energéticas ou cocktails, deixando muitas vezes de lado o ritual e a pausa que um bom copo de vinho exige — seja ele seco, espumante, fortificado branco ou tinto.
É por isso que eventos como o Prova Portugal, organizado pela Wines of Portugal (ViniPortugal), são tão importantes: não promovem apenas vinhos, promovem a cultura, a identidade e a continuidade de um país vínico.
Na edição de 2026, integrada no tour pela América do Norte, com paragens em Toronto e Montréal, mais de 40 produtores portugueses trouxeram consigo o melhor das suas regiões e das suas histórias.
E foi precisamente numa dessas histórias que encontrei um dos momentos mais marcantes do evento.
Conheci o senhor Vítor Cardadeiro, responsável pela quinta, pela produção vinícola e pelo Hotel do Reguengo de Melgaço, que apresentou um vinho verde premium Legatu Cardadeiro é um Alvarinho da Quinta do Reguengo de Melgaço, criado em homenagem ao pai.
Mais do que um vinho, era memória engarrafada.
Um projeto onde o Alvarinho continua a ser trabalhado com elegância e perfil gastronómico, respeitando a identidade de Melgaço e mostrando todo o potencial de uma das grandes castas portuguesas.
Foi um lembrete de que o vinho vai muito além do copo.
É memória, legado e emoção.
Ao longo do evento, entre produtores como Niepoort, Aveleda, Symington Family Estates, Quinta do Crasto, Esporão, Sogrape e tantos outros, ficou clara a força da diversidade portuguesa: dos Douros intensos aos Alentejos generosos, dos Dãos elegantes aos Vinhos Verdes vibrantes.
Enquanto enófila, foi isso que levei comigo: a certeza de que por detrás de cada garrafa há sempre uma história.
E talvez seja isso que faz do vinho algo único.
Num mundo de consumo rápido, o vinho continua a pedir tempo.
Tempo para provar e sentir.
Tempo para lembrar.