A ÚLTIMA INUTILIDADE: Aí Tivemos a Última Sessão de Vazio destas Eleições


Lá decorreu, como se sabia, a mais recente inutilidade da nossa política e da eleição presidencial que se aproxima. Uma conversa repleta de vazio político. Um debate que devia ter sido evitado, ao invés de uns quantos por aí andarem a dizer que seriam ainda mais necessários os debates deste tipo, supostamente para informar os há muito decididos eleitores portugueses.
O debate foi completamente inútil dado que André Ventura nunca poderia concitar o apoio amplo do nosso eleitorado. Uma realidade objetiva e há muito por todos percebida, incluindo os seus mais referentes apoiantes. Em contrapartida, António José Seguro foi como sempre se pôde ver, sem mudanças cosméticas, incluindo as de natureza tática que pudessem ser viradas para a captação de eleitores da Extrema-Direita. Interessante, contudo, foi o argumento de Ventura, a cuja luz estão todos contra si! E tem razão, mas o problema é que ele, por essa mesma razão, não conseguiu mostrar ser melhor que o que de si já se pensa em matéria política. A verdade é que estão todos – quase todos – contra ele, realidade mui significativa… Ora, neste (inútil dito) debate pôde ver-se, de modo evidente, a caraterística de André Ventura, que foi apontada por António José Seguro: alguém que defende a “política do empadão”, assim caraterizando “a habitual mistura e confusão de temas, quase sempre de forma imprecisa e caricatural, que é a tática de André Ventura para, na réplica, tornar difícil uma resposta a uma questão concreta”, como, há dias, nos expôs Francisco Seixas da Costa.
A uma primeira vista, Seguro e Ventura terão conseguido fixar o eleitorado que já haviam conseguido de antes. Simplesmente, tudo faz crer, até pelas informações que diariamente nos vão chegando, que António José Seguro estará a conseguir recuperar a maior parte dos votantes nos candidatos eliminados na primeira volta. De um modo simples: foge-se de André Ventura a sete pés, o que contém um significado político mais que claro.
Claudicou, de modo pleno, a narrativa de que os do sistema pretendem impedir uma capaz redenção da nossa vida político-social. E claudicou, por igual, o recurso à outra narrativa de que com André está a grande maioria das vítimas do sistema, este apoiado – no dizer de Ventura, claro – pelos poderosos da nossa sociedade. Ao final de todas as coisas, a verdade é que estão todos contra – assim o diz o líder do Chega – Ventura. O que me leva a recordar certo período da pena do histórico académico Pedro de Varennes e Mendonça: há razões para que assim suceda. Por fim, uma ideia bem arábica que por aí anda, pelas vozes de escondidos apaniguados de Ventura: seria melhor que parasse a vaga de apoios de grandes personalidades em favor de António José Seguro, porque pode ser desfavorável para este!! Uma falácia isomórfica da importância dos cartazes em eleições. Como pude já escrever, a presença destes no espaço público não traz vantagem apreciável, mas o partido que os não coloque, como se percebe, terá sempre a perder. O mesmo se dá aqui, com os apoios das grandes personalidades: a sua presença garante pouco, mas não a ter é terrivelmente mau. E porquê? Ah, porque mostra, precisamente, que estão todos contra quem não recebe esses apoios! E mesmo por fim, o grande mal deste debate, como da grande generalidade dos mesmos: os jornalistas e os canais televisivos. Invariavelmente, vem-se depois chorar sobre o pouco que, de realmente esclarecedor, se consegue com os sucessivos debates (deste tipo). A verdade é que o formato se mantém, tal como os posteriores choradinhos sobre a falta de esclarecimento conseguido.
Um debate esclarecedor a dois deveria ter este formato: cada candidato numa cabina estanque; um jornalista no exterior; sorteios como usualmente, sobre quem começa e quem termina; perguntas simples sobre temas previamente acordados e ligados às grandes preocupações dos cidadãos; quando um responde, as câmaras só podem oferecer a sua imagem e só a sua voz é audível; e tempo previamente combinado para cada resposta, com interrupção automática da voz de quem está a responder e tenha chegado ao final do tempo.
Com este mecanismo, conseguir-se-ia muito mais e melhor esclarecimento dos concidadãos que se determinassem a assistir ao debate em causa.

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