No dia 16 de maio de 1738, em plena festa da Ascensão, falecia aquela que pelo seu amor e devoção a Cristo, foi a grande difusora do culto à Veneranda Imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Madre Teresa da Anunciada, considerada o instrumento privilegiado que o Senhor escolheu para manifestar-nos o seu amor.
Teresa de Jesus, assim se chamava, desde criança evidenciou uma grande tendência religiosa. Era notável a sua caridade com os mais necessitados, que lhe batiam à porta e de quem tratava com o maior desvelo e o desejo secreto de falar com Deus. Com a entrada no Convento da Esperança, onde começa a sua grande caminhada, demonstrou, desde cedo, uma imensa devoção pela imagem do Senhor representada no passo do Ecce Homo.
No convento continuou com a sua missão de ajuda aos pobres atendendo todos os que a ela recorriam em hora de aflição, ao ponto de ter pedido ao rei que terminasse com uma contribuição que estava empobrecendo o povo destas ilhas, conseguindo, surpreendentemente, o seu objetivo. A sua humildade, de que foi exemplo vivo, é a sua maior virtude.
Nas comemorações do tricentenário do seu nascimento, em 1958, a Câmara Municipal da Ribeira Grande, deslocou-se na ao Convento da Esperança, para depor na urna que guarda as suas cinzas, uma palma com flores, de onde pendiam fitas com as armas do município e inscrições que se referiam ao nascimento e tricentenário da devotada freira e ainda uma quadra de Ezequiel Moreira da Silva: “São flores da tua terra/ Um jardim de formosura/A dizer do mar à serra/Que tu foste a flor mais pura”.
Em maio de 2013, foi colocada uma relíquia da Madre Teresa da Anunciada, no batistério da igreja de São Pedro da Ribeira Seca, onde ela fora batizada, tendo sido descerrada em 2016 uma placa em bronze com o registo do Senhor Santo Cristo dos Milagres, muito visitada e local onde se depositam muitas flores e se acendem inúmeras velas.
Teresa sempre valorizou os dons divinos através de oração, meditação, caridade e penitência. As suas virtudes e orações irradiavam do convento e levavam a todos o conforto e o auxílio espiritual. Trilhava já o caminho dos santos. Morreu com fama de santidade. Uma Santa que o povo açoriano espera e deseja ver oficialmente canonizada.
Volvidos todos estes anos, voltamos a celebrar as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, com grande devoção, em que a multidão voltou a manifestar de forma sentida a sua inabalável fé, mesmo com chuva e tempo agreste, o povo permaneceu na rua para ver a Veneranda e Imagem e prestar homenagem ao Ecce Homo.
E na imensa procissão deste domingo, que serpenteou pelas ruas e varandas floridas de Ponta Delgada, sentiu-se também a presença de Madre Teresa da Anunciada, como se caminhasse entre os seus devotos, conduzindo-os, como outrora, ao abraço misericordioso do Príncipe das Ilhas.
É esta fé que não se explica, que não se impõe, apenas se vive. Uma fé feita de lágrimas, de promessas e de esperanças que não morrem. E entre cada círio na mão, cada hino entoado, cada joelho dobrado sobre a pedra negra do Campo de S. Francisco, louva-se e agradece-se ao Senhor Santo Cristo por tudo o que recebemos ao longo do ano, nunca se esquecendo que Madre Teresa da Anunciada foi mãe espiritual desta devoção, um farol de santidade que nunca se apagou.
Mesmo os que estão distantes da ilha voltaram o seu coração para o Santuário do Santo Cristo e os olhos postos na televisão e redes sociais para assistirem às grandiosas festividades, celebrando-se, assim, com muita alegria cada momento das grandiosas festividades, tudo isto graças ao denodo de Madre Teresa da Anunciada em promover este precioso culto.
Amor e Devoção a Cristo
