Entre Igrejas, Concertos e Pequenas Mentiras

Olá, andorinhas livres!
Quero, primeiro, pedir desculpa. Passei estes dias de verão a descansar com os meus dois amores, a fazer nada com o meu canadiano de olhos azuis e a descobrir partes desta ilha que ainda não tinha visto, umas vezes sozinha, outras acompanhada!
Agora, tenho saudades de escrever sobre nada e sobre tudo. E então, aqui vamos nós, à descoberta do dia e, talvez, do momento presente, entre palavras e atividades perdidas desta cidade.
Foi a primeira vez que entrei na Catedral de Notre-Dame. O meu canadiano explicou-me que é uma das poucas igrejas aqui no Québec onde é preciso pagar para entrar. Fui lá assistir a um concerto de Nicolas Loignon, uma pessoa sobre quem já escrevi no passado. Ele tem autismo e toca piano com uma melancolia que nos deixa um pouco diferentes depois de estarmos na sua presença.

A igreja estava também cheia de turistas, todos a descobrir isto e aquilo, enquanto ouviam explicações sobre a história do Québec.
Uma observação que fiz, com os meus olhos de professora, foi a de uma pintura de Marguerite Bourgeoys (1620-1700). Naquele dia, aprendi, juntamente com turistas vindos de todas as partes do mundo, que ela foi uma das primeiras professoras do Québec.
A pintura daquela senhora de outro tempo, a segurar um livro, a Bíblia, acompanhada por duas crianças indígenas, deixou-me um arrepio frio no coração de professora. Especialmente ao ver a igreja cheia de turistas a aprender a nossa História.
Não sei se vocês sabem, mas os nossos alunos do Québec ainda não têm livros de História que contem tudo aquilo que realmente aconteceu, porque muitas das versões que durante anos nos foram ensinadas são hoje consideradas incompletas, distorcidas ou simplesmente já não têm lugar nas nossas salas de aula, públicas ou privadas.
Mas, em monumentos históricos e turísticos, lá estava uma imagem que, aos meus olhos, continua a contar uma versão demasiado bonita de uma realidade muito mais complexa, para o mundo inteiro levar consigo.
Mas pronto!

Também fui ver a Ariana Grande com a minha Clarinha, uma adolescente que me faz aprender tanta coisa. Adorei esta experiência de aprender com a minha filha — e também com o meu filho.

Tive de fazer o meu trabalho de aluna, porque não conhecia assim tanto sobre a Ari. Talvez conhecesse uma ou duas canções e, verdadeiramente, metade de uma terceira! Mas, pelo preço do bilhete e, sobretudo, para viver aquela noite com a minha filha, ela mandou-me o setlist para eu poder conhecer as músicas que iria cantar e até perceber as regras não escritas de um concerto.
Por exemplo, havia uma canção em que eu devia ficar calada, juntamente com aproximadamente 15 mil outras pessoas!
Foi mágico estar ali com ela. Dançar, conhecer as músicas, cantar, e até ficar em silêncio por alguns momentos.
Chegámos as duas completamente molhadas, dos pés ao cabelo, duas horas antes do concerto, determinadas a viver aquilo à nossa maneira. A energia da cidade, junto ao Bell Centre, rodeada de outros pais como eu, acompanhados pelos seus filhos jovens, foi uma memória que vou guardar para sempre no meu coração de mãe.

Também tenho de vos confessar que fiz uma pequena mentira nesta minha crónica, onde pretendo ser isto e aquilo, entre palavras perpendiculares e histórias mágicas.

Esta crónica, para mim, é uma forma de arte onde a minha vida se transforma em poesia — às vezes feia, outras vezes gira — e está sempre em evolução. Então, já que fui à igreja, aqui vai a minha confissão.
Claro que também estou a aprender a ser mais transparente no meu movimento pela vida. Aprendi que a casa incrível daquele vizinho que eu pensava estar a construir sozinho… afinal, não era bem assim. Nos meus passeios matinais e ao fim da tarde com a minha cadela, era verdade que via apenas ele: camisa branca, calças de ganga azuis e chapéu de marinheiro. E, por isso, criei a minha própria história.

Mas durante o dia, nesses dias de folga da professora que tenho a sorte de ser, descobri, nos meus passeios com a minha cadela, que ele tinha companhia: havia vários homens a trabalhar na construção daquela casa. Afinal, nada daquilo estava a ser feito apenas por aquele homem sozinho.
Então, caros leitores, eu menti.
Mas agora que vi a verdade, já não consigo olhar para as coisas da mesma maneira que olhava antes.
Espero que continuem a gostar das minhas crónicas curiosas e das minhas palavras inéditas, que estão sempre a crescer, a mudar e a transformar-se — imperfeitamente, mas autenticamente.
Vai lá!