Assim se passou a Festa da Laranja aqui em Portimão. Como já escrevi noutras ocasiões, o Algarve produz das melhores laranjas, tangerinas e mandarinas do mundo.
As últimas semanas trouxeram muita chuva e ventos fortes, não só a Portimão, mas a todo o retângulo português, causando prejuízos consideráveis em várias cidades e aldeias do país.
Entretanto, recebemos a agradável visita dos nossos amigos de Montreal, Chantal e Michel. Tinham vindo no inverno passado por dez dias; gostaram tanto que este ano decidiram regressar por um mês inteiro. Estava previsto fazermos um passeio de carro até Coimbra, passando depois pela Nazaré, Óbidos, Peniche e Caldas da Rainha, para lhes mostrar o melhor que o país tem. Mas o mau tempo trocou-nos as voltas e foi necessário cancelar os planos.
Surgiu então o plano B: na quinta-feira, 19 de fevereiro, voámos na SATA, de Faro para Ponta Delgada, onde ficámos até segunda-feira, dia 23.
A Azores Airlines trouxe-nos de regresso ao Algarve. Por estas bandas algarvias vivem muitos estrangeiros — sobretudo europeus, mas também canadianos — que continuam a escolher esta região para passar temporadas mais longas.
Escrevo estas linhas no dia 23 de fevereiro, já a bordo do avião da SATA, a voar de volta para Faro.
Os nossos amigos do Quebeque ficaram encantados com a ilha de São Miguel. Tínhamos alugado um carro em Ponta Delgada e, com muito orgulho, fiz-lhes uma volta à minha ilha. Fomos aos campos do Senhor, às paisagens verdejantes que nos enchem a alma, e encontrei a minha comadre Escolástica, sempre muito devota ao Senhor Santo Cristo.
Foi mesmo em frente à linda igreja do Senhor Santo Cristo que ela me contou, à sua maneira bem açoriana, as novidades da freguesia.
Disse-me ela: — Ó compadre, o José, se não fosse eu a arranjar-lhe uma namorada, nunca vinha cá visitar os irmãos! Mal me viu, ele e o Herculano fugiram como baratas quando se acende o candeeiro no sótão. Pensava que lhe íamos pedir esmola!
Ri-me com gosto. Quem é açoriano sabe bem que estas conversas têm sempre um fundo de verdade e muito de graça.
Voltando aos nossos amigos quebequenses: adoraram cada cantinho de São Miguel — a paisagem, a hospitalidade e, claro, a comidinha. Fomos comer chicharros fritos ao restaurante Mane Cigano, saboreámos um cozido das Furnas, tudo como manda a tradição. Só ficou a faltar um mergulho nas águas açorianas, que o tempo não deixou. E assim se fez mais uma viagem cheia de memórias. “Procura por tudo, excepto o amor e a morte — eles hão-de encontrar-te quando chegar a hora”, Wiliames Silva.
Coisas do Corisco
