Caros leitores do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio.
Hoje, dia 27 de janeiro, continua a nossa estadia neste condomínio do edifício Varandas da Rocha, a cinco minutos a pé da praia do mesmo nome. À hora em que estou a escrever estas coisinhas, chove torrencialmente em Portimão e o mar está ruim que nem uma barata, mas, como diz um casal amigo, podemos sempre abrir as janelas — no meu caso, são portas de pátio.
Este ano, eu e a conversada decidimos não alugar carro, e saibam vocês que estou muito feliz com esta decisão, porque, além de ser economicamente melhor para a carteira, faz com que andemos longas horas pela cidade. Vamos a pé ao supermercado, que fica a cerca de meia hora do nosso condomínio, e também ao Mercado Municipal de Portimão, onde adoro ir: é o peixe fresco, a carne, as frutas, os legumes e aquele ambiente de mercado — uma maravilha que me fascina.

Infelizmente, nem tudo são alegrias. Estou muito triste por saber que um amigo de longa data faleceu em Montreal. Falo do José de Freitas, um homem bom, que muito me ajudou com as festas do então Rancho Folclórico Cantares e Bailares dos Açores. Recordo-me bem do jantar de fervedouro à moda da Ribeira Grande, concelho de onde o senhor Freitas vinha, pois nasceu, se não estou em erro, em Santa Bárbara.
Foi um jantar que lhe pedi para preparar, e ele disse-me:
— Ó Sousa, isto é complicado…
Mas, com a sua calma e a experiência de trabalhar junto ao calor dos fogões, a festa foi um sucesso. A cave da igreja Enfants de Jésus estava cheia.
Vais ter com os teus amigos lá no Céu, senhor Balbino Sá e José Grilo.
Os meus sentimentos, dentro das circunstâncias, à família e aos amigos.
“O meu avô dizia: se pegares o comboio errado, desce na primeira estação, porque quanto mais tempo demorares a descer, mais cara fica a viagem de volta. E isso não é sobre comboios…”, Diário Espírita.
