O Choque da Realidade


Esta última semana assistimos a um choque de realidade português: afinal os números da população portuguesa eram bem superiores aos anteriormente registados nos últimos anos levando a uma descida significativa de Portugal no rendimento per capita.
Os números da imigração eram incorretos e a nova metodologia de contagem levou a que se caísse de 82% do rendimento médio da União Europeia ajustado ao custo de vida para qualquer coisa entre 76% e 77%.
Portugal é o sexto mais baixo, ultrapassado pela maioria dos países do leste europeu que ainda há poucos anos só poderiam sonhar com uma riqueza ao nível da portuguesa.
Como se trata de imigração, naturalmente levantou-se de imediato uma legião de comentadores ideologicamente comprometidos para justificar os resultados.
E que justificações! Descobriu-se que eles têm uma preocupação por ter trabalhadores a ganharem uma miséria na agricultura, ou a distribuir as refeições que encomendam pelos seus caros telefones. Mas que importa, a hipocrisia morreu e a mentira renasce como verdade tal Fénix se repetida muitas e muitas vezes. Até a própria Cuba já reconheceu por voz do seu presidente o erro que são as teorias de centralização das decisões da produção económica.
Sacrilégio!
Mas nada diz aos velhos do Restelo portugueses. A realidade nada lhes diz, uma tristeza ver gente bem instalada, vivendo confortavelmente do erário público vociferando contra a pobreza mas incapazes de um gesto dentro da sua própria esfera que se assemelhe de longe com caridade.
Mas a caridade só é boa se for com os recursos dos outros – voilà uma redescoberta dos novos defensores dos pobres e desvalidos.
Faz lembrar António Silva em O Leão da Estrela: “o que é meu é meu; o que é teu é nosso”!
De nada serve a realidade que os portugueses vivem na rua: do custo da vida ao desenfreado da imigração; da insegurança à “guetização” de comunidades estrangeiras.
A lista é longa.
Mas sejamos como a avestruz: enterremos a cabeça na areia; finjamos que não é problema; se é problema, finjamos que a causa é outra, mesmo que estapafúrdia; ou atiremos a culpa a outros, como o Passos, o Cavaco, ou até Salazar, vejam bem, ou melhor ainda, o neoliberalismo que existe desde os Descobrimentos ou a colonização!
O disparate é tanto e tão avassalador que só uma comunicação social falida e dependente, financeiramente e de intelecto, poderia alimentar e dar palco a esta tragédia.
Mas fá-lo.
Sem remorsos.
E depois lutam contra as consequências, como a criança mimada que pretende fugir às asneiras que perpetra. Quem poderá se atirar a resolver esta selva de disparates e disparatados? Difícil dizer, e aqui reside a verdadeira tragédia portuguesa: a inexistência de alternativa. Deixou de haver esquerda, direita, centro, conservadorismo ou liberalismo.
O objetivo é a colonização do Estado para interesse partidário.
É um jogo político, um campeonato de idiotice ideológica.
O interesse da nação deixou de existir.
Para quando o acordar?
Esperemos que para breve, mas esperemos que também não seja despoletado por uma tragédia como a Venezuela vive, para a qual desejamos os melhores votos ao povo venezuelano. Bom verão a todos!