Estimados leitores,
Este espaço tem por missão celebrar e divulgar autores de língua portuguesa, sejam eles naturais de Portugal ou integrantes da nossa vibrante diáspora. Procuramos apresentar cada autor com o respeito que a sua obra merece, partilhando notas biográficas e excertos significativos que nos chegam, na sua maioria, através da Biblioteca José d’Almansor, em Montréal, ou pelas mãos dos próprios autores.
A rubrica Entre-Nós é apresentada na Rádio Centre-Ville na última quarta-feira de cada mês, na emissão Notas de Lá e de Cá. Contudo, sabendo que nem sempre é possível acompanhar a rádio, decidi trazer este trabalho para as páginas de A Voz de Portugal, um jornal tão acarinhado pela nossa comunidade. Aqui, convido-vos a conhecer, com a tranquilidade da leitura, a produção literária e as escolhas musicais que acompanham as nossas apresentações.
Na rubrica do 27 de maio deste ano, mergulhámos na obra de uma talentosa artista da nossa comunidade: Maria João Sousa, carinhosamente conhecida como Majao, e o seu mais recente livro, Ramalhete de Emoções (2025).
A Banda Sonora da Rubrica Entre-Nós
Para acompanhar esta viagem literária,
selecionámos as seguintes melodias:
- Júlio Lourenço – Você Vai Ver
- Carlos Paredes – Canção Verdes Anos
- Leo Rojas & Gheorghe Zamfir – Flauta
- Kenny Carreiro Tavares – Eu Nasci Pra Te Amar
- Seleção 2026 – Melhores Músicas Portuguesas
Ramalhete de Emoções – O Olhar da Crítica:
A Dra. Vitália Rodrigues de Aguilar escreveu, no prefácio da obra, palavras que definem bem a artista e poetisa:
“Conheci a Maria João no final dos anos 90, quando ambas dávamos aulas de português em Montreal. Reencontrei-a década e meia depois, agora como Majao, e fiquei encantada com a beleza e as cores das suas telas. (…) Maria João domina tanto a pluma como o pincel ou a câmara fotográfica. Nesta obra, põe o seu coração a nu e partilha momentos da sua vida íntima. A sua pluma é poliglota: ora desliza no branco do papel na língua de Camões, ora se faz caprichosa… Ficamos à espera de mais, mas, por agora, vamos saborear este Ramalhete de Emoções.”
Subscrevendo as palavras da Dra. Vitália, trago-vos dois momentos poéticos que espelham a alma da autora:
Viver
“Hoje acordei…
O dia está claro e quente.
O Rei Sol despertou para nos aquecer
com um brilho radiante, emanando energia.
O gosto de viver,
o gosto de escrever,
o gosto de pintar…
O gosto de viver a vida
que vence a tempestade!
O mau tempo passou.
Já nada me pode impedir de viver,
pois viver é uma bênção
com um limite desconhecido.”
Nas Margens do Rio
“Domingo à tarde, passeio à beira do rio São Lourenço.
Caminho solitário com os meus pensamentos.
As árvores, outrora vestidas de verde, laranja ou vermelho, despem-se.
O Outono avança.
As árvores despidas esperam o novo manto que a mãe natureza lhes irá oferecer:
será branco imaculado.
O frio será omnipresente,
mas o nosso coração não resfria;
está cheio de alegria, amor e sonhos para realizar.”
Estes versos revelam a resiliência de Maria João perante os obstáculos, transformando a saudade do seu “canto natal” e a experiência da imigração em arte.
Sobre a Autora:
Uma Vida Dedicada à Cultura
Maria João Sousa nasceu em Faro, no Algarve, e emigrou jovem para Montreal, onde se formou em Administração. Desde cedo, envolveu-se no ensino do português e em programas de apoio comunitário.
Em 2006, iniciou o seu percurso nas artes plásticas. Desde a sua primeira exposição em Laval (2009), as suas telas — ricas em azuis do mar e vermelhos do pôr do sol — já passaram pela Fundação Pauleta, Centro Cultural de Anjou, Caixa Portuguesa e Casa dos Açores. Além de pintora, é a responsável pela Biblioteca José d’Almansor e, desde 2018, coordena a exposição “Artes e Letras” no Festival Portugal International de Montréal
Bibliografia Principal:
- Mãos de Mulher (Coautora, 2020)
- Pintar Poemas (Coautora, 2022)
- Entre Plumas e Pincéis (2025)
- Caminho da Liberdade (Prosa – Antologia
Mulheres Portuguesas no Quebeque, 2025) - Ramalhete de Emoções
(Pintura, Fotos e Poemas, 2025)
Convido-vos, pois, a ler Ramalhete de Emoções e a participar nos eventos desta artista completa, que tanto dignifica a nossa língua e cultura no Quebeque.
