Uma história de amor pela comunidade e Noite Memorável com uma Doce Sinfonia

Hoje vou contar-vos uma bonita história de amor. Amor à comunidade. Amor à cultura. Amor à nossa gente.
Montreal nunca foi uma comunidade grandiosa como Toronto ou Fall River. Não temos a mesma dimensão, nem sempre temos a mesma força financeira para trazer grandes nomes de Portugal. Para se ter uma ideia: um Tony Carreira pode custar 60 mil dólares; um Jorge Ferreira, 20 mil. São valores elevados, difíceis de suportar por uma comunidade pequena como a nossa.
Mas nem sempre foi assim. Nos anos 80, embora os valores fossem diferentes, o desafio era igualmente grande. Ainda assim, houve quem tivesse visão. Quem acreditasse que Montreal não podia ficar esquecida no mapa dos grandes espetáculos portugueses. Foi graças a essas pessoas que por cá passaram nomes como Carlos do Carmo, Roberto Carlos, Roberto Leal, Linda de Suza, Amália Rodrigues e tantos outros. O dinheiro não caiu do céu — houve trabalho, risco, dedicação e, acima de tudo, paixão.
Um desses homens chama-se Eddy Silva.


Eddy fez muito pela nossa comunidade. Fez-nos vibrar, cantar, emocionar ao som de grandes artistas portugueses. Há muito para dizer sobre ele, mas o essencial é isto: mesmo com a idade a avançar, continua movido pela mesma paixão de sempre — trazer artistas e realizar grandes espetáculos em Montreal.
Os últimos três eventos foram cancelados por falta de participação. E isso dói. Dói a quem organiza, a quem arrisca, a quem acredita. Mas, desta vez, mesmo sabendo que a sala não estava cheia, Eddy decidiu avançar. Quis oferecer à comunidade um espetáculo digno, daqueles que ficam na memória.
Na sexta-feira, eu estava a ajudar na preparação da sala quando, de repente, Eddy recebeu uma chamada. Os artistas tinham chegado a Toronto e aguardavam o voo para Montreal. O tempo passou… e perderam o avião. A companhia aérea Porter tinha alterado a porta de embarque 15 minutos antes e eles não entraram no voo. Resultado: ficaram retidos no aeroporto de Toronto.
Contactámos a companhia aérea. A resposta foi fria e direta: perderam o voo, teriam de comprar novos bilhetes — cerca de 900 dólares. Perante isto, a minha Marie tomou uma decisão sem hesitar: ir de carro até Toronto durante a noite para os ir buscar e trazê-los para Montreal. E foi exatamente isso que fizemos. Saímos na sexta-feira à noite, chegámos a Toronto por volta das 8h e regressámos a Montreal pelas 9h. Foi cansativo, foi difícil, mas conseguimos. Fizemo-lo para que o espetáculo acontecesse.
E aconteceu.
A sala não estava cheia, é verdade. Mas foi uma das noites mais bonitas de que me recordo. Gente boa, ambiente caloroso, um DJ fantástico — DJ XMEN (Carlos Fróias) — que animou a festa, um jantar saboroso e muito bem servido.
E depois, a parte artística. Vindos diretamente dos Açores, mais precisamente da Lagoa, em São Miguel, o Duo Doce Sinfonia ofereceu-nos um espetáculo monumental. Quase três horas em palco, com apenas uma breve pausa. Cátia Melo e Pedro Carreiro não pararam um instante. Energia contagiante, vozes afinadas, entrega total ao público. E Cátia, a cada regresso ao palco, surgia com um vestido novo e deslumbrante, acrescentando ainda mais brilho à noite.
Foi uma noite de alegria genuína. De superação. De união. Uma prova de que, mesmo quando os obstáculos surgem, a vontade e o amor pela comunidade falam mais alto.
Sabemos que eles voltarão em breve — e da próxima vez, esperamos uma sala cheia, à altura do talento que nos oferecem.
Obrigado, Eddy, por mais esta noite inesquecível.
E até à próxima.

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