Marta Raposo, Apresenta “Fado en 3 temps”: Menos Explicação, Mais Atenção!


O convite partiu do Le Balcon e a resposta foi imediata: regressar às raízes.
Martinha, La Fadista (Marta Raposo) sobe ao palco com “Fado en trois temps”, um concerto em formato de trio que nasce do reencontro artístico com músicos de Toronto, depois da partilha no FPIM 2025. A vontade era recíproca; a oportunidade tornou-se concreta. E a ideia ganhou corpo: aproveitar ao máximo a presença dos músicos e criar um espetáculo que celebra o essencial.
À conversa com o Palco de Estrelas by Anabela Silva, a fadista revela que este não será apenas mais um concerto, mas “um ponto de maturação”.


O conceito assenta na simplicidade: atmosfera de casa de fado, proximidade com o público, ausência de artifícios cénicos e um discreto desenho de luz a acompanhar os três movimentos do espetáculo. “Nada pode distrair do que importa: a voz, as guitarras e a verdade do momento”, sublinha.
O alinhamento prevê cerca de 20 temas, maioritariamente inéditos neste palco, incluindo originais. Martinha recupera fados dos dois primeiros discos escritos propositadamente para si, que raramente interpretou ao vivo e que agora revisita com a maturidade artística e emocional do presente. Um quarto do repertório integra temas já apresentados anteriormente, mas a maioria será novidade. “Escolhi fados que amo profundamente e que me surgem por instinto, nos tempos livres. Continuam a ressoar”, confessa.
Entre as surpresas anunciadas, há espaço para um momento participativo que pode envolver o público e até trazer alguém da plateia ao palco. “O fado é encontro, não é vitrine”, afirma, reforçando a ideia de comunhão que orienta o projeto. O medley participativo, idealizado há muito, encontra agora o seu propósito.
A componente francófona assume especial relevância. Martinha prestará homenagem a Édith Piaf, evocando a “grande voz da saudade da canção francesa”, em arranjos inéditos preparados para a ocasião.
Haverá também tributo a Jean-Pierre Ferland, um dos nomes maiores da canção quebequense e autor do emblemático álbum Jaune, obra marcante da cultura francófona do Québec. Para a intérprete, os temas escolhidos fazem sentido “pelo sentir e pela palavra”, reforçando a ponte entre universos musicais.
Os temas bilingues são, aliás, estruturais na narrativa do concerto. “Há mais fado na música do mundo do que apenas no nosso fado”, defende, propondo uma leitura alargada do género enquanto expressão universal de saudade.
Apesar de a estrutura se manter nas três datas previstas, poderão surgir pequenas variações, ajustadas à energia de cada sala ou a pedidos especiais. A própria distância geográfica entre os músicos representa um desafio criativo, o que faz com que algumas decisões finais sejam tomadas no próprio dia, em função do que sentirem em conjunto.
Mais do que um espetáculo, “Fado en trois temps” apresenta-se como um exercício de depuração artística: menos retórica, mais música; menos explicação, mais presença; mais escuta entre os três intérpretes e maior confiança no silêncio. “O fado não precisa de ser explicado, precisa de ser vivido”, conclui Martinha.
É esse espaço de partilha que a fadista pretende criar: um lugar onde a saudade não seja apenas cantada, mas verdadeiramente sentida em comunidade.
Dias 4 e 6 de Março na sala Le Cabaret. Dia 5 Le Balcon.
O espetáculo que vale a pena!
Entrevista conduzida pelo Palco de Estrelas com Anabela Silva.

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