Governo minoritário — O PQ Regressa ao Poder


Foram necessários apenas 28% dos votos expressos para que Paul St-Pierre Plamondon se tornasse o 34.º primeiro-ministro do Quebeque. À frente de um governo minoritário, mantém a intenção de conduzir a província para um referendo sobre a soberania. «Continuo a sonhar e a imaginar este país», afirmou durante o discurso de vitória.

Paul St-Pierre Plamondon chega ao poder, mas fica «de mãos atadas», como tanto receava. O Parti Québécois (PQ) conquista um mandato minoritário, obrigando-o a negociar com os partidos da oposição, incluindo o Parti conservateur du Québec (PCQ), que entra em força na Assembleia Nacional. Apesar de não ter liberdade total para governar, o primeiro-ministro indigitado mantém a intenção de realizar um referendo sobre a soberania e já estendeu a mão ao Québec solidaire (QS) para tentar concretizar esse objetivo. Depois de oito anos no poder, a Coalition avenir Québec (CAQ) desaparece do mapa eleitoral. O Parti libéral du Québec (PLQ) duplica o número de deputados, enquanto o QS consegue preservar parte da sua representação. Nas eleições gerais de segunda-feira à noite, o PQ obteve 28% dos votos e conquistou 59 dos 127 círculos eleitorais. Os eleitores não deram carta branca a Paul St-Pierre Plamondon, apesar dos seus apelos, na reta final da campanha, por uma maioria.
«O Parti Québécois formará um governo que estende a mão a todos e eu serei o primeiro-ministro de todos os quebequenses», declarou Paul St-Pierre Plamondon perante algumas centenas de militantes reunidos no Espace St-Denis, em Montreal.
O líder do PQ afirmou que a atualização económica deste outono irá refletir elementos dos programas eleitorais dos restantes partidos, de forma a permitir trabalhar em conjunto num quadro orçamental. «Vamos dedicar toda a nossa energia a tentar, com a colaboração dos outros partidos, respeitar cada um dos compromissos» assumidos durante a campanha.

E o referendo?
Os militantes do Parti Québécois explodiram de alegria quando foi anunciada a eleição de um governo do PQ. Mas o anúncio de um governo minoritário caiu como um balde de água fria, perante a consciência de que o calendário referendário ficava comprometido.
«Continuo a sonhar e a imaginar este país», disse-lhes Paul St-Pierre Plamondon, que prometeu realizar um referendo depois da saída de Donald Trump da Casa Branca, no início de 2029.
No entanto, a duração média de um governo minoritário situa-se entre os 18 e os 24 meses, o que poderá levar os eleitores novamente às urnas antes do final de 2028. Até lá, o Parlamento será palco de intensas negociações.
Em relação ao resto do Canadá, Paul St-Pierre Plamondon afirmou que «o Quebeque será sempre um parceiro de boa-fé, aberto à colaboração». Dirigindo-se à comunidade anglófona, prometeu ser «o primeiro-ministro de todos».
O PQ conquistou todos os círculos eleitorais em Lanaudière, Laurentides, Saguenay–Lac-Saint-Jean e no Leste do Quebeque. Em Montreal, conseguiu apenas dois lugares e não elegeu nenhum deputado na região da Capital-Nationale.
A formação soberanista regressa ao poder depois de 12 anos na oposição. Mas, tal como em 2012, sob a liderança de Pauline Marois, terá de se contentar com um governo minoritário. A última maioria do partido na Assembleia Nacional remonta a 1998, com Lucien Bouchard.

Nenhum deputado eleito pela CAQ
A disputa entre cinco partidos dividiu o voto e o sistema eleitoral revelou-se particularmente duro para a CAQ. Com 13% dos votos, a formação fica sem qualquer deputado na Assembleia Nacional, quatro anos depois de ter conquistado 90 lugares.
«A derrota é minha», admitiu a primeira-ministra cessante e líder da CAQ, Christine Fréchette, derrotada em Trois-Rivières.
O PLQ volta a formar a oposição oficial, agora com 40 deputados. Charles Milliard venceu em Orford, depois de assumir a liderança do partido em fevereiro.
O Parti conservateur elegeu 19 deputados com 21% dos votos, mais oito pontos percentuais do que em 2022. O seu líder, Éric Duhaime, conseguiu finalmente eleger-se à terceira tentativa. A formação de direita avançou também na Mauricie, no Centre-du-Québec e em Estrie.
O Québec solidaire perdeu três círculos em Montreal para os liberais, mas resistiu em Sherbrooke e manteve os seus dois bastiões no centro da cidade do Quebeque.
E, para finalizar, em Anjou–Louis-Riel, Helder da Costa Leitao, candidato do Parti conservateur du Québec (PCQ), não conseguiu conquistar um lugar na Assembleia Nacional do Quebeque. A candidatura do representante conservador integrou uma corrida com sete candidatos, numa circunscrição onde Nicolas Plourde, do PLQ, foi eleito. Ainda assim, Helder fez uma ótima corrida, conquistando 2.405 votos e terminando em 3.º lugar.
Agora resta esperar para ver como toda esta situação política se vai desenvolver. Alguns profissionais da política admitem já a possibilidade de eleições dentro de dois anos, mas, para já, tudo está em aberto e terá ainda de ser analisado.
Há também quem defenda que será necessário esperar pela saída do atual presidente dos Estados Unidos para que possam ser realizadas novas eleições. Para já, são apenas cenários e hipóteses que continuam em discussão.