Expressão Escrita para Unir a Minha Paixão para Além das Fronteiras

@andorinhas_de_mtl

Os Açores, região autónoma portuguesa com poder político e administrativo próprio, tem uma cultura única e independente do continente, com muitas tradições sem igual.
Ao ser graciosamente convidada a refletir sobre a forma como vivemos essa independência na nossa comunidade em Montreal, senti a necessidade de destacar a maneira como eu — uma açoriana que nasceu e foi criada longe dos Açores — encontro essa forma de liberdade no meu dia a dia no Canadá, mais precisamente em Montreal, Quebeque. Quando somos diferentes do status quo, não temos outra opção senão escolher o nosso próprio destino. Eu, jornalista feminista, procuro promover a liberdade através da minha crónica, @andorinhas_de_mtl, defendendo o direito da mulher de procurar prazer na arte, nas amizades e na cultura. Acho essencial aproximar-me de femas que se apoiam mutuamente para serem a melhor versão de si mesmas. A palavra fema é um termo que existe apenas no Dicionário de Vocabulário Açoriano e não nos dicionários portugueses. Afirma, por si só, o significado e a importância da identidade linguística açoriana.
É importante sublinhar que a conversa entre mulheres inteligentes — grandes femas, na minha opinião — que acontece em associações, festivais e nos meios de comunicação da comunidade imigrante no Quebeque é, muitas vezes, dirigida por femas e constitui um verdadeiro pêndulo político que impulsiona os mais vulneráveis a alcançarem o seu potencial. Devo também mencionar a importância dos homens da nossa diáspora açoriana, que desempenham um papel fundamental nesta rica conversa, explorando formas de maior abertura, com o mesmo objetivo: educar e fortalecer a diáspora lusófona. Para mim, a palavra açoriana fema significa não apenas uma rapariga bonita, mas também uma mulher livre. Na minha crónica para o jornal A Voz de Portugal, partilhada no Instagram e no Facebook, tenho autonomia jornalística e liberdade de expressão que, como fema livre, abraço sem limites. O título da minha crónica inspira-se na cantiga “Andorinhas”, onde a fadista Ana Moura descreve a enorme necessidade de partir em busca da liberdade. Versos como “eu quero tirar os pés do chão e voar daqui p’ra fora” são profundamente sentimentais para mim, porque também eu quis mudar a minha forma de estar para ir ao encontro do meu destino livre — aquele que se relaciona com a minha maneira única de ser açoriana. Nunca me senti sozinha, porque através da minha crónica encontrei apoio feminista nas minhas amizades e na minha família. Sem apoio, acredito que é impossível alcançar o nosso verdadeiro potencial. Com o apoio dos leitores d’A Voz de Portugal, de Paula Ferreira, Presidente da Casa dos Açores do Quebeque, e da minha incrível comunidade de femas positivas, uso a expressão escrita para unir a minha paixão de ser açoriana com a independência de existir para além das fronteiras políticas da minha nacionalidade. Para finalizar, fui ver a exposição de Kent Monkman no Museu de Belas-Artes de Montreal e encontrei paz e uma beleza incrível nas pinturas deste grande artista indígena. Foi uma enorme inspiração, porque a sua arte é uma forma de testemunho — uma expressão de resiliência que se encontra na criação de um artista indígena que consegue produzir beleza mesmo depois de atravessar o racismo sistémico, a violência colonial e o trauma intergeracional. Na arte, podemos sempre encontrar inspiração e esperança. A exposição termina no dia 8 de março. Ciao, Andorinhas livres.

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