Convenção de Munique


A convenção que aconteceu apenas alguns dias atrás não alterou em nada as perspetivas de relacionamento transatlântica, em particular entre os EUA e a Europa.
Desta vez contando com Marco Rubio, uma personalidade com mais sentido de estado do que o vice presidente americano que no ano passado caiu na boçalidade de estar a dar reparos morais aos seus aliados europeus, o registo manteve-se: a Europa tem que contar consigo mesmo.
Nenhuma novidade até aqui.
A forma foi mais polida mas a firmeza de propósito manteve-se.
E não vale a pena ficarmos retidos neste ponto, tanto a Europa ou outros países como o Canadá.
Façamos o nosso luto, mas prossigamos com as nossas vidas. E desistam de pensar que se Rubio for presidente, ou os democratas tomarem as câmaras governativas ou até chegarem à presidência, haverá um retorno ao passado.
Não haverá. A opinião pública é contrária, não compreende o porquê e estão sobrecarregados de problemas com uma sociedade cada vez mais fraturada entre ultra ricos e o resto que apenas sobrevive. Há também uma enorme dívida que jamais conseguirão pagar, exceto com medidas drásticas como desvalorização da moeda, etc.
Portanto, tanto para a Europa como para o Canadá, esqueçamos o mundo que existia de alianças com marcos fraternais bem definidos.
O egoísmo individual atingiu o zénite chegando às sociedades onde o sentido transacional se sobrepõe ao resto. Concentremo-nos em controlar aquilo que podemos controlar, que é a nossa própria orientação, estratégia e ação. Podemos alinhar com princípios mais elevados? Sim, mas sem ignorar que os outros não o farão e para tal teremos que estar preparados.
É importante que o cidadão comum, que já vai em décadas de relativo conforto, perceba isto. Acima de tudo, que perceba que certas despesas que vinham a ser descuradas terão que ser reavaliadas para cima, quer isto dizer, que as prioridades mudaram. Os recursos da sociedade, seja pela forma de impostos ou outra qualquer, devem ser judiciosamente usados tendo em vista um mundo mais hostil onde as balizas morais e éticas não existem, infelizmente. Estávamos habituados a habitar numa jaula planetária com herbívoros amigáveis. Agora habitamos uma jaula com predadores carnívoros sádicos e sem remorsos.
Ignorar isto é viver na ilusão que nos carrega inevitavelmente ao sofrimento por fuga do esforço que devemos fazer. Esta é a lição de Munique que deveria ser mais amplamente transposta para a sociedade.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *