Campeões há muitos, mas só um é português
20 de janeiro de 2026.
Que quadro! Que pintura! Que noite! A noite em que o Sporting dobrou o campeão europeu, para escrever um pedaço de arte que fica para a história do futebol português.
Porque este Sporting mostrou que pode ser tão grande como os maiores da Europa.
O jogo, de resto, foi tudo aquilo que se esperava: de um lado o aristocrata francês, cheio de pose, dinheiro e altivez, do outro lado o operário português, sempre disposto a mais um esforço, a mais uma obrigação, a mais uma corrida.
No fim, e como aconteceu no filme com que tantos emigrantes se identificaram, os portugueses libertaram-se da Gaiola Dourada, para serem felizes como acham que devem ser.
É verdade que o PSG teve muito mais bola, mais iniciativa, mais domínio, mas nada disso é surpreendente. Afinal de contas, é o aristocrata cheio de pose e dinheiro. E é também, já agora, uma belíssima equipa, cheia de gente genial na criatividade e inteligente na postura.
Por alguma razão é campeão europeu, não é?
Por isso o PSG fez três golos, todos bem anulados, e ameaçou marcar em mais uma mão-cheia de ocasiões. Sobretudo na primeira parte, quando a preocupação leonina esteve mais em travar o adversário: defendendo com uma defesa de cinco (Geny recuava para latera na direita e Fresneda fechava ao centro), mais três médios (Morita, João Simões e Maxi Araújo) logo à frente.
Um Sporting tão, tão, tão português
Vale a pena dizer, já agora, que pelo menos em duas situações o Sporting também ficou perto de marcar, naquela primeira parte feita de tanto trabalho, solidariedade e capacidade de sofrimento. Um pouco como é a história dos portugueses em França, lembra-se?
No segundo tempo, porém, tudo foi diferente.
O Sporting libertou-se das amarras e olhou o aristocrata francês nos olhos. Suárez marcou duas vezes, pelo meio (mais ou menos ao mesmo tempo em que Rui Borges lançou Vagiannidis), Luís Enrique atirou para dentro de campo um tal de Kvaratskhelia, que custou 70 milhões de euros e não foi caro. Ele que empatou o jogo num golaço.
Alisson, que foi uma espécie de Kvaratskhelia neste jogo, mas daquelas lojas onde se compra tudo a um euro, desequilibrou outra vez à esquerda e Suárez cabeceou para a felicidade.
Alvalade rebentou um grito de felicidade. Cantou-se O Mundo Sabe Que, brindou-se ao êxito, dançou-se com entusiasmo. Esta noite fica para a história. Porque campeões há muitos, mas só um é português.
