A GREVE DE MONTENEGRO: Será Luís Montenegro Realmente Democrata?


A pergunta formulada acima não se deve à possibilidade de Luís Montenegro desejar o fim da nossa (cada dia mais injusta) democracia. Deve-se, isso sim, às palavras que pronunciou sobre a recente greve geral, que ontem se desenrolou em Portugal.
Ora, num destes dias fui encontrar no blogue DUAS OU TRÊS COISAS, mantido por Francisco Seixas da Costa, o seguinte seu post:
“Os saudosos
Observando a triste reação do governo face ao legítimo exercício do direito à greve, só posso concluir aquilo de que sempre suspeitei: um setor importante da direita portuguesa tem saudades. Mas (ainda?) não tem coragem de confessar aquilo de que sente falta. Mas nós sabemos.”
É isto mesmo a realidade da nossa vida política nacional. Em todo o caso, falta ao nosso embaixador o reconhecimento das razões para as tais saudades que referiu. E essas razões, como pude já escrever, derivam de os portugueses, de um modo muito geral, sempre terem tolerado o Estado Novo, mormente com o seu respeito pela integridade moral e política de Salazar. Por isso, o antigo Presidente do Conselho disse no Porto que em Portugal, onde tão levianamente se depreciavam e depreciavam os homens públicos, gozava do raro privilégio do respeito geral. Bom, veio a sair vencedor, já depois de Abril, do concurso sobre O MAIOR PORTUGUÊS DE SEMPRE.
Quando formulei a pergunta inicial, pretendi mostrar que Luís Montenegro, de facto, se comporta, no plano político, como um qualquer que ainda acredite na existência de uma demonstração sobre a possibilidade da quadratura do círculo. Simplesmente, esta é a parte da democracia forçada, porque já se prefiguram no horizonte as mudanças no exercício do Direito à Greve. E, como quase sempre, os dirigentes do PS continuam distraídos. Afinal, temos a tal democracia, mas o Direito à Greve lá vai ser reduzido a (quase) nada.
É essencial nunca esquecer o que Adriano Moreira, em cada presença no JORNAL DAS NOVE, sempre nos dizia: Portugal precisou sempre de ajuda desde a fundação da nacionalidade. É, portanto, uma realidade que mostra como o estado político-social de Portugal não depende de quem o possa dirigir. Depois, quando se vai ver com atenção, a posição relativa é sempre a mesma. E é a presença de Luís Montenegro na liderança do Governo que mostra, afinal, que ele pensa como Salazar: nada contra a greve, mas se não tiver maus efeitos para ninguém!! E por ser assim, éu quér’ápláudirr!!!
É fundamental que os leitores tenham presente que nunca um português venceu as voltas à Espanha, à França, à Itália ou à Flandres, por exemplo. Até a recente Volta ao Alentejo foi ganha por um estrangeiro. E já agora, deixo ao leitor o encargo de ver quantos portugueses venceram a Volta a Portugal nas últimas edições. Nunca realizámos olimpíadas, nem o Mundial de Futebol, muito menos o vencendo. Temas sobre que nos basta olhar para Leste…