Mariza regressa a Montreal:uma noite para sentir a alma do fado

Olá, andorinhas livres!
Esta semana, tive de escrever sobre Mariza, uma das fadistas contemporâneas preferidas dos portugueses. A sua arte, a sua voz magnífica e uma noite de fado vão certamente despertar no público memórias de outras passagens por Montreal, quando ela já aqui atuou, por uma ou outra ocasião. Lembro-me de ter ido com a minha mãe ao Théâtre Fairmount, numa sala cheia de gente conhecida. Desta vez, vou acompanhado por um canadiano de olhos azuis, para que ele possa ouvir e sentir a magia do fado e ficar deslumbrado com a beleza de um momento português: o fado.


No próximo dia 25 de outubro, Mariza regressará à Maison symphonique, na Place des Arts. Esta noite será muito mais do que o regresso a Montreal de uma das grandes vozes do fado. Este concerto dá continuidade a uma relação com o público de Montreal iniciada há quase um quarto de século, quando a artista portuguesa começava a conquistar os palcos internacionais.
Nascida em Moçambique e criada na Mouraria, bairro histórico de Lisboa intimamente ligado ao fado, Mariza cresceu rodeada pelas vozes, pelas guitarras e pelas histórias que moldam este género musical. Esse legado permanece no coração da sua arte, mas nunca encarou a tradição como algo imutável. Pelo contrário, Mariza contribuiu para levar o fado ao século XXI, preservando a sua profundidade emocional e, ao mesmo tempo, abrindo-o a outras sonoridades e sensibilidades. A sua voz, imediatamente reconhecível, passa da intimidade de um sussurro a uma intensidade arrebatadora.
No palco, o seu carisma e a intensidade da sua interpretação permitem-lhe alcançar um público que vai muito além das fronteiras linguísticas. Desde Amália Rodrigues, poucas artistas portuguesas alcançaram tamanha projeção internacional. Ao longo de mais de duas décadas, Mariza apresentou-se nas principais salas de espetáculos e festivais da Europa, da América do Norte, da América Latina e da Ásia. Os seus discos valeram-lhe mais de cinquenta certificações de platina, diversas nomeações para os Grammy e inúmeras distinções internacionais.
Montreal ocupa, aliás, um lugar especial na sua trajetória. O espetáculo de 25 de outubro marcará a sua nona visita à metrópole, após passagens que a levaram do Festival Internacional de Jazz ao Théâtre Outremont, passando pela Place des Arts e pela Maison symphonique. Ao longo dos anos, o público de Montreal tem-lhe reservado uma acolhida particularmente calorosa. Na sua última visita, em abril de 2019, Mariza esgotou a Maison symphonique, demonstrando tanto a ligação da comunidade portuguesa à artista como a sua capacidade de conquistar um público muito mais vasto no Quebeque. Mais de sete anos depois daquela noite, o seu regresso à mesma sala ganha, portanto, um verdadeiro sabor a reencontro. A acústica excecional da Maison symphonique oferecerá um cenário privilegiado para uma voz na qual cada nuance conta, do sussurro mais íntimo às interpretações mais intensas.
Para além da sua virtuosidade vocal, é, sem dúvida, na sua capacidade de transmitir a emoção do fado que reside a força de Mariza. Uma música feita de histórias, memórias, saudade e experiências humanas, o fado encontra nela uma expressão que ultrapassa largamente as fronteiras de Portugal. Não é preciso compreender cada palavra para sentir a emoção que transmite.
Quase vinte e cinco anos após a sua primeira atuação em Montreal, Mariza regressa a uma cidade que acompanha a sua trajetória praticamente desde o início da sua carreira internacional. Para a comunidade portuguesa, este reencontro tem, naturalmente, um significado especial. Para o público de Montreal, em geral, é a oportunidade de voltar a ouvir uma artista que soube transformar uma tradição profundamente enraizada na cultura portuguesa numa linguagem musical universal.
Não podia deixar de escrever sobre esta grande fadista, que chegará a Montreal no próximo dia 25 de outubro para subir ao palco de uma sala de excelência, a Maison symphonique, na Place des Arts, e cantar o fado como ninguém. O estilo único desta artista e a sua voz extraordinária, cheia de paixão, vão certamente aquecer o coração dos lusófonos de Montreal.
Espero encontrar-vos por lá, para ouvirmos o fado, deixarmos cair uma lágrima ou duas ao som de uma cantiga mais triste e batermos palmas, cheios de alegria, noutras melodias que nos tocam a alma.
Aqui fica uma fotografia de Mariza, tirada durante a sua última passagem por Montreal.
Ciao, andorinhas livres!