Há umas semanas, Luís Montenegro defendeu a histórica posição de Salazar: não é contra o direito de se fazer greve, mas desde que uma tal ação não prejudique quem à mesma não adira. Um (dito) social-democrata da era trumpista. No fundo, um crente de que ainda se pode resolver a histórica quadratura do círculo.
Ora, ontem mesmo, à medida que se desenrolavam os protestos em Genebra, com o impedimento de os mesmos poderem ser feitos perto do local onde reuniam os causadores políticos do estado a que o mundo chegou, Carla Rodrigues lá se ia interrogando sobre se aquelas ações teriam alguma vantagem!!
Foi preciso ter surgido Ricardo Monteiro para, ainda dentro do politicamente correto, explicar que nós vivemos num mundo em que uma ínfima minoria dispõe da riqueza igual à da quase totalidade da restante esmagadora de povos. Confesso, em todo o caso, que não fiquei convencido de que a nossa jornalista tenha compreendido o que está em jogo.
Foi pena que Ricardo Monteiro não tivesse colocado a Carla esta questão: perante as anormalidades desumanas que varrem hoje a classe política de quase todo o mundo, o que acha a nossa jornalista que devem fazer as vítimas, que são a generalidade dos povos? Seria uma pergunta interessante de ser feita, porque Carla Rodrigues certamente teria uma solução para o estado a que os povos do mundo estão a ser conduzidos pela classe política, seja a norte-americana, que é a que manda, seja a restante, que é a que obedece, talvez com a exceção do Irão. Escolher F 35 em vez dos Gripen é a prova real disto mesmo.
Seria interessante perguntar a Carla Rodrigues se não concorda com o facto de ter o Movimento das Forças Armadas sido uma ação ilegal e inconstitucional, como todos logo apontaram na sequência do falhanço das Caldas da Rainha. E eu não esqueço a ovação estrondosa que foi tributada a Marcello Caetano no Estádio José Alvalade, quando o Benfica aqui enfiou 7 a 3 ao seu histórico adversário. Estou em crer que Carla Rodrigues terá achado que o golpe das Caldas não devia ter sido feito, mas logo se mostrando uma adepta do triunfo do Movimento das Forças Armadas. Conversas de chacha.
QUESTÕES DE CHACHA: Parece que Protestar Sim, Mas só sem Violência
