Uma nova guerra mundial

É muito depressivo chegarmos a casa, abrirmos a televisão e sermos bombardeados com notícias de guerras infindáveis e os seus efeitos nos aumentos do petróleo e consequentemente em todo o nosso custo de vida
Parece que o mundo está cada vez mais virado do avesso. Aquilo que, há poucas décadas, muitos acreditavam ser uma ordem internacional relativamente estável transformou-se num cenário de conflitos prolongados e uma sensação crescente de um futuro incerto. Em várias regiões do Mundo, as crises políticas e militares multiplicam-se, alimentando a perceção de que os mecanismos de cooperação internacional, como a ONU, já não conseguem travar a escalada da violência.
A guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão em larga escala pela Rússia em 2022, tornou-se num dos exemplos mais marcantes deste desequilíbrio mundial. O conflito, que muitos pensaram poder terminar rapidamente através de sanções ou da pressão internacional, prolonga-se há anos, em que o Presidente da Rússia faz orelhas moucas aos pedidos de negociações e deixando um rasto de destruição, com milhões de deslocados e o sofrimento humano cresce continuamente.
Ao mesmo tempo, o Médio Oriente o peso de tensões históricas e confrontos com Israel é “o pão nosso de cada dia”, cujo conflito se mantém como uma ferida aberta, com episódios de violência que alimentam um clima de desconfiança e ressentimento entre palestinianos e israelitas. A situação em Palestina continua marcada por crises humanitárias, destruição e um impasse político que parece não ter solução à vista, o que para nós é uma guerra que se normalizou e deixamos de dar atenção, mesmo entrando pelos olhos dentro o sofrimento de crianças e idosos.
A estas tensões junta-se agora a guerra com o Irão, numa escalada de instabilidade de toda aquela região. Aquele país tem sido o centro de várias disputas geopolíticas, envolvendo o seu programa nuclear, as sanções internacionais e a sua influência terrorista em diferentes conflitos no Médio Oriente.
Neste cenário de guerra já de si muito instável, surgem também sinais de mudanças na política de sanções internacionais aplicadas à Rússia. Se houver um desagravamento significativo dessas medidas, Moscovo irá beneficiar diretamente da retoma das suas exportações de petróleo. Dado que o mercado internacional de energia continua fortemente dependente deste recurso natural, o aumento na capacidade russa de o vender irá traduzir-se em receitas substanciais para o Kremlin.
Essas receitas adicionais irão fortalecer a economia russa e, potencialmente, financiar o esforço militar no conflito ucraniano. Para muitos observadores, esse cenário levanta preocupações sérias, pois o aliviar da pressão económica, a comunidade internacional estará a contribuir para prolongar a guerra na Ucrânia. O receio é que mais recursos financeiros se transformem em mais armamento, mais operações militares e, consequentemente, mais destruição no território ucraniano. Putin olha para este cenário com grande regozijo, esfregando as mãos de contentamento, já que é uma forma direta de massacrar sem dó, nem piedade toda a nação ucraniana.
Assim, o mundo enfrenta um paradoxo inquietante. Por um lado, existe um desejo de estabilidade, paz e cooperação internacional. Por outro, as decisões políticas, os interesses estratégicos e as rivalidades económicas parecem empurrar o sistema internacional na direção oposta. Entre guerras prolongadas, alianças frágeis e tensões crescentes, a sensação dominante é a de um planeta em permanente desequilíbrio.
Talvez a maior inquietação seja precisamente essa, a perceção de que os conflitos já não são episódios isolados, mas sintomas de uma nova guerra mundial em curso. Enquanto não surgirem soluções diplomáticas sólidas e uma vontade real de cooperação entre potências, o mundo continuará a caminhar num fio de instabilidade, um mundo que muitos sentem, cada vez mais, estar completamente do avesso.

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