Coco Rico: o sabor português de Montreal em destaque no The New York Times

Num momento em que a gastronomia portuguesa continua a conquistar paladares além-fronteiras, o restaurante Coco Rico, situado em Montreal, volta a ganhar projeção internacional ao ser destacado nas páginas do prestigiado The New York Times. Mais do que um simples reconhecimento, trata-se da celebração de uma história marcada pela imigração, pela tradição e pelo espírito empreendedor de uma família portuguesa.
Tudo começou com Francisco Pedro Castanheira, natural do Ribatejo, que chegou a Montreal aquando da Expo 67. “Francisco Pedro Castanheira tried St-Hubert for the first time when he traveled from Ribatejo, Portugal, to Montreal for Expo 67, a World’s Fair held in 1967”.
Foi nessa altura que teve o primeiro contacto com a famosa cadeia canadiana St-Hubert — uma experiência que, segundo o seu neto Glenn Castanheira, lhe pareceu curiosa: a ideia de mergulhar o frango em molho para lhe dar sabor era, para ele, algo inusitado.
Inspirado, mas fiel às suas raízes, Francisco Castanheira decidiu introduzir em Montreal o verdadeiro frango português, temperado com o inconfundível molho piri-piri. Em 1970, abriu o Coco Rico, inicialmente como um restaurante de “take-out”. Poucos anos depois, em 1974, surgia o Jano, um espaço mais tradicional para refeições sentadas. Ambos localizados na mesma artéria — o Boulevard Saint-Laurent — numa zona outrora marcada pela comunidade judaica e hoje conhecida como o coração do “Little Portugal”.


Ao longo das décadas, o Coco Rico tornou-se uma verdadeira instituição em Montreal, mantendo-se nas mãos da família Castanheira mesmo após a morte do seu fundador, em 2003. Glenn Castanheira, neto de Francisco, recorda com nostalgia os anos passados atrás do balcão, sublinhando o impacto emocional que o restaurante continua a ter junto dos clientes: muitos reconhecem-no e partilham histórias ligadas ao espaço, prova viva da sua importância cultural.
Mas o legado vai além de um restaurante. A família Castanheira ajudou a moldar um estilo muito próprio de restauração portuguesa em Montreal, contribuindo para alargar os horizontes gastronómicos das tradicionais rôtisseries do Quebec. Para além do frango picante, os restaurantes portugueses passaram a oferecer especialidades como sandes de chouriço, leitão assado e o icónico pastel de nata — sabores que hoje fazem parte do quotidiano culinário da cidade.
O destaque no The New York Times confirma aquilo que a comunidade luso-canadiana sempre soube: o Coco Rico não é apenas um restaurante, mas um símbolo da identidade portuguesa em Montreal — um espaço onde tradição, memória e sabor se encontram à mesa.
Neste mesmo artigo falaram também sobre os Romados, Ma Poule Mouillée e o Campos da família dos “Ferreira”.
Parabéns.