Ontem o primeiro-ministro do Quebeque, François Legault, apresentou a sua demissão e vai ficar em funções até ser encontrar um sucessor à frente da Coalition Avenir Québec (CAQ).
Emocionado, mas visivelmente sereno, durante a conferência de imprensa de quarta-feira de manhã, o homem de 68 anos reconheceu a vontade dos quebequenses de ver uma mudança política.
“Todos os dias levantei-me a pensar: quero o que há de melhor para os quebequenses. Nem sempre consegui”, reconheceu no momento do anúncio, feito na presença do seu chefe de gabinete, Martin Koskinen, e da sua companheira e aliada próxima, Isabelle Brais. Em várias ocasiões, François Legault destacou a contribuição da sua esposa para os sucessos da sua carreira e para a unidade do partido. O gabinete do primeiro-ministro surpreendeu ao convocar uma conferência de imprensa inesperada no edifício Honoré-Mercier, onde se situam os seus gabinetes. No entanto, apesar de uma queda acentuada e sustentada nas sondagens, François Legault tinha garantido, por diversas vezes, que seria candidato a um terceiro mandato nas eleições de Outubro de 2026. Num inquérito da Pallas, divulgado na terça-feira pela L’actualité, a CAQ atingiu, ainda assim, um nível historicamente baixo, com apenas 11 % das intenções de voto.
Dirigindo-se à imprensa, François Legault manifestou o desejo de que as próximas eleições no Quebeque incidam sobre os grandes desafios económicos da província e sobre a língua francesa, «e não sobre uma simples vontade de mudança».
Pandemia e a «família» caquista
François Legault aproveitou a sua intervenção de 18 minutos para fazer o balanço dos seus dois mandatos maioritários à frente do Quebeque. O seu primeiro mandato, de 2018 a 2022, foi marcado sobretudo pela pandemia, que abalou a província e o mundo inteiro.
«Tentei, sete dias por semana,
salvar o maior número possível de vidas», afirmou François Legault.
O primeiro-ministro recorda desse período o orgulho de ter recrutado e formado milhares de auxiliares de cuidados durante a crise sanitária. A maior satisfação de François Legault, olhando em retrospectiva, foi: “Fazer da CAQ uma família. É isso que mais vou sentir falta. O que mais me entristece é pensar que, dentro de alguns meses, os verei menos”, sublinhou, referindo-se aos seus colaboradores. Destacou igualmente o seu balanço económico e a redução das desigualdades de riqueza como outras das suas “grandes conquistas”.
“Durante sete anos conseguimos superar o a província de Ontário e o resto do Canadá”, repetiu. François Legault comparou frequentemente o seu desempenho com o da província vizinha ao longo dos últimos sete anos.
Na área da saúde, vangloriou-se de ter aumentado de 57% o orçamento da saúde em sete anos no poder. O primeiro-ministro considera como uma vitória a adopção da Lei n.º 2, que provocou um verdadeiro tumulto junto dos médicos em 2025.
