Noveck falava à agência espanhola EFE à margem de uma iniciativa realizada esta semana na Universidade de Granada, em Espanha, dedicada ao impacto das tecnologias disruptivas numa sociedade globalizada e em rápida transformação.
A especialista destacou que a inteligência artificial não criou fenómenos como a propaganda ou a desinformação, apenas tornou essas ferramentas mais acessíveis a todos.
A fundadora da Iniciativa de Governo Aberto da Casa Branca defendeu que as universidades públicas têm uma oportunidade única para usar a IA em benefício da sociedade, criando soluções focadas no interesse público. Entre os exemplos, apontou ferramentas capazes de simplificar documentos técnicos e administrativos, facilitando o acesso dos cidadãos a informações sobre serviços e apoios sociais.
Noveck sublinhou também o potencial da IA para aproximar cidadãos e governos, mas defendeu uma abordagem baseada na regulação das empresas e na responsabilidade dos utilizadores. Segundo a especialista, a tecnologia deve ser acompanhada por educação digital e reflexão ética, não apenas para evitar riscos, mas também para definir os objetivos que a sociedade pretende alcançar.
A especialista comparou o atual debate sobre a IA ao surgimento da Internet e destacou iniciativas de países como a Finlândia e o Japão na educação tecnológica. Valorizou ainda a posição do Papa Leão XIV sobre a necessidade de colocar a humanidade em primeiro lugar e alertou para os perigos da concentração do controlo tecnológico em poucas mãos, defendendo que é importante aproveitar também os benefícios da inovação.
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