As eleições no Quebec ditaram resultados que não surpreenderam face às sondagens que vieram a ser divulgadas.
Vamos começar pelos perdedores. A CAQ é de longe o grande perdedor da noite eleitoral, sendo completamente eliminada do parlamento. Christine Frechette teve uma amarga derrota, tendo um caminho muito estreito e de difícil equilíbrio face a um passado governativo da CAQ que se esgotou por si mesma.
O segundo perdedor, em muito menor grau, colocaria QS.
Não beneficiou das dificuldades económicas que normalmente inclinam o eleitorado para a esquerda política, talvez pela associação nos tempos modernos a ativismos políticos que deixam grande parte da população numa posição de incompreensão face aos problemas que enfrentam.
Os grandes vencedores foram sem dúvida o PQ, muito perto da maioria. Em segundo lugar, ambos PLQ e PCQ obtiveram excelentes resultados por razões e circunstâncias diversas.
Por um lado os liberais recuperam de uma posição difícil depois do governo Couillard ter deixado cicatrizes profundas no eleitorado assim como uma sucessão de líderes subsequentes com problemas distintos que fez os fez perder a bússola orientadora.
Com Milliard parecem ter feito parte do caminho de recuperação – ainda falta trilhar mais caminho, mas a presença no parlamento de uma representação acima das expectativas e a presença do seu líder permitirá mostrar a sua capacidade para assumir governo no futuro.
Do lado dos conservadores, Duhaime vê os seus esforços recompensados.
Um bom grupo parlamentar que lhe permitirá também mostrar o que vale no parlamento. Em geral, há uma distinção clara do eleitorado: fora de Montreal dominam o PQ e PCQ; os liberais dominam Montreal, parte oeste fora da ilha e zona de Gatineau; QS tem a sua marca no centro urbano de Montreal e Sherbrooke.
Há uma nota importante destas eleições também: a representatividade face à percentagem dos votos. Por exemplo, a CAQ teve mais votos do que QS, mas não elegeu qualquer deputado; o PQ, PLQ e PCQ estão praticamente equidistantes em votos mas o número de deputados não corresponde proporcionalmente.
O PQ esteve à beira de uma maioria com apenas 30% dos votos.
Aqui há problemas de representatividade que deveriam mobilizar as forças parlamentares a entenderem-se de forma a evitar problemas futuros com eleições que possam dar resultados de tal forma distorcidos que causará perturbação social e política.
E o futuro?
Bem, sabemos de antemão que o referendo é a prioridade número um do novo governo.
Não conheço em profundidade a legislação que assiste a um evento desta natureza, mas sou de opinião pessoal que um referendo para um efeito tão relevante, que afeta e condiciona todos quer sejam a favor ou contra, deveria ser sempre por uma maioria absoluta ou qualificada, para dar legitimidade incontestável e evitar fraturas prejudiciais futuras.
Independentemente desta minha opinião, julgo ter havido uma questão que ficou por perguntar nesta campanha: e se não houver referendo nesta legislatura, quais as responsabilidades a atribuir ao governo?
Havendo o referendo, e este for negativo à independência, qual o impacto e a resolução a tomar pelo governo?
Da análise aos resultados, face também às divisões geográficas que assinalei acima, podemos tirar a ilação simples que os eleitores comunicam: governem o Quebec!
As prioridades do eleitorado são a economia, a habitação, a saúde e a educação.
Falhar a abordagem a estas prioridades, ou pior, ignorá-las, poderá ser catastrófico para o PQ e consequentemente para o Quebec.
Restam duas opções essencialmente: assumir estas prioridades e através de comunicação eficiente e eficaz alimentar o espírito independentista; ou antagonizar o federal, criando múltiplos conflitos que canse pouco a pouco o eleitorado.
De qualquer das formas a expectativa foi colocada alta e quando isto acontece haverá a contabilização de resultados para apuramento de responsabilidades políticas.
Uma Nova Fase
